Inês Cardoso

Inês Cardoso

Um Governo em perda. E uma oportunidade

Um "otimista irritante" também tem períodos de azar. No caso de um otimista que é primeiro-ministro, será sempre difícil distinguir o que de menos bom resulta da falta de sorte ou da falta de pontaria nas escolhas. António Costa tem vivido os últimos meses mergulhado em sucessivos episódios que transmitem do Executivo uma imagem de desgaste e de fragilidade política. Até a remodelação ontem anunciada, e que estava a ser preparada há vários dias, acabou por parecer atabalhoada, na sequência de uma fuga de informação que obrigou a anunciar novos secretários de Estado em dois tempos diferentes.

Inês Cardoso

O labirinto da reforma do Estado

O tema é complexo, e mais difícil de interpretar se torna quando ainda há muito por explicar na forma como se pretende concretizar a desconcentração de poderes da Administração Central para as comissões de coordenação e desenvolvimento regional (CCDR). De acordo com as explicações do Governo, até março de 2024 deverão estar integradas nas CCDR competências em nove áreas, da economia à agricultura, passando pela educação e a cultura. Este passo de reforço das CCDR estava há muito prometido e é mais um movimento na reforma do Estado que está lentamente no terreno.

Inês Cardoso

Transparência, três anos depois

Não é fácil encontrar, como tem vindo a acontecer há largas semanas, períodos consecutivos com tantas notícias e polémicas visando titulares de cargos públicos. Das incompatibilidades de ministros às nomeações de adjuntos sem experiência profissional, das investigações judiciais a autarcas aos casos de membros da Oposição igualmente envolvidos em inquéritos do Ministério Público, não há um dia sem uma (ou várias) novidades que contribuem para uma perceção claramente negativa de quem está na política.

Inês Cardoso

A raiva na política

Foram precisas mais de 40 horas para, em escassos dois minutos, Jair Bolsonaro falar finalmente após a derrota eleitoral, sem ter a humildade de a reconhecer, e deixar nas entrelinhas a certeza de que vai tentar aproveitar até ao limite a energia que lhe continuam a depositar nos protestos de rua. Embora prometendo cumprir a Constituição, o ainda presidente do Brasil justificou as manifestações como sendo "fruto de indignação" pela forma como decorreu o ato eleitoral, voltando a escolher a insinuação e o jogo em vez de contribuir para apaziguar um país que já merecia entrar no tempo da pacificação.

Inês Cardoso

Onde vai cair a chuva de milhões?

Tem-se falado muito dos valores únicos de fundos europeus que vão chegar em 2023, mas ainda assim impressiona quando traduzimos os números por miúdos: decompostas as contas inscritas no Orçamento do Estado, estamos a falar de qualquer coisa como 22 milhões de euros por dia. A famosa "bazuca" não é sequer a fatia mais significativa, que se prevê seja assegurada pelo último ano de execução do Portugal 2020, juntando-se a estas duas parcelas o arranque da execução do Portugal 2030.

Inês Cardoso

O cabelo descoberto. A liberdade

Os rostos e as suas histórias trágicas sucedem-se. Asra Panahi, de 16 anos, foi espancada até à morte pelas forças de segurança iranianas, na sala de aula, por se ter recusado a cantar um hino a elogiar o líder supremo. A repressão em larga escala nas escolas começou na semana passada, depois de vídeos nas redes sociais mostrarem adolescentes a recusar o uso do hijab, ao mesmo tempo que gritavam palavras de ordem contra o regime. Os mais recentes dados do grupo Iraniano de Direitos Humanos dão conta da morte de 215 pessoas, incluindo 27 crianças, durante os protestos que varrem o país desde 16 de setembro.

Inês Cardoso

Marcelo: o comentador e o chefe de Estado

O Orçamento do Estado acaba de ser apresentado. Quando os partidos da Oposição ainda reagem ao mais relevante documento orientador da estratégia para o país, Marcelo Rebelo de Sousa é auscultado e, em direto para todas as televisões, comenta demoradamente as previsões e a "navegação à vista da costa" escolhida pelo Governo. No dia seguinte, novamente questionado pela Comunicação Social à margem de uma iniciativa de agenda em Lisboa, volta a pronunciar-se sobre uma longa lista de temas, incluindo o Orçamento e as "dúvidas" sobre a previsão para a inflação em 2023.

Inês Cardoso

Qatar, futebol e direitos humanos

Paris é a mais recente cidade a juntar-se a um movimento que nasceu na Bélgica e chegou a França no final de setembro. Por razões éticas e ecológicas, diversos municípios recusam criar zonas públicas de transmissão dos jogos do Mundial, que arranca a partir de 20 de novembro no Qatar. As condições desumanas a que foram sujeitos milhares de trabalhadores são a principal razão apontada, a par de fatores ambientais relacionados com os sistemas absurdos de climatização criados para os estádios.

Inês Cardoso

Sim, senhor primeiro-ministro

A guerra mantém-se na praça pública há uma semana e meia. Desde que o ministro da Economia se pronunciou a favor de uma redução generalizada do IRC no Orçamento do Estado para 2023, numa entrevista à TSF e Jornal de Notícias, assistimos a consecutivos e imparáveis movimentos de desautorização pública de António Costa Silva. Num momento inicial o aviso mais contundente, mandando calar o seu colega de Governo, partiu do titular das Finanças, Fernando Medina. É uma reação que se entende, dada a divergência de interesses e o papel de guardião do cofre de quem tem esta pasta. Muito mais grave é que tenham sido entretanto vários os secretários de Estado a pronunciar-se, incluindo os tutelados pelo próprio ministro da Economia. Não é normal vermos governantes desautorizados na praça pública pela sua equipa direta.