Advogado de Vieira "surpreendido". Medidas de coação fazem "pouco sentido"

Magalhães e Silva diz que "faz pouco sentido que um homem de 72 anos tivesse a menor tentação de fugir".

O advogado de Luís Filipe Vieira, Magalhães e Silva, afirmou, este sábado, que está surpreendido com as medidas de coação aplicadas ao seu cliente.

"Surpreende-me porque faz pouco sentido que um homem de 72 anos, com família constituída e toda a sua vida organizada, tivesse a menor tentação de fugir para o estrangeiro por causa disto", disse à saída do Tribunal Central de Instrução Criminal, acrescentando que "estas medidas são manifestamente excessivas em face daquilo que está descrito na indiciação". "Posso dizer com toda a tranquilidade que na indiciação não estão indicados factos que constituam crime", admitiu.

"Aquilo que é claro é que não há nenhuma determinação judicial no sentido de suspensão de funções", disse Magalhães e Silva, acrescentando que "o juiz não determinou nenhuma garantia, nem pulseira, nem vigilância, confiando que Luís Filipe Vieira ficará na sua residência".

Magalhães e Silva referiu que Vieira está "entristecido, mas aliviado pela circunstância de não ter suspendido funções".

O advogado confirmou que Luís Filipe Vieira já saiu do tribunal. Magalhães e Silva referiu que sente "um enorme cansaço", sublinhando que "tem de se terminar com prisões para interrogar pessoas e depois libertá-las".

O juiz Carlos Alexandre decretou prisão domiciliária sem pulseira eletrónica para Luís Filipe Vieira até que pague uma caução de três milhões de euros. Vieira terá de provar que tem condições para pagar a caução e não lhe foi pedido que suspendesse quaisquer funções na SAD, sendo que não poderá contactar com nenhum elemento do clube.

Carlos Alexandre aplicou também como medidas de coação a Luís Filipe Vieira a proibição de sair do país, com a entrega do passaporte, e de contactar com os outros arguidos do processo, à exceção do filho, outro dos detidos.

José António dos Santos, conhecido com rei dos frangos, vai ter de pagar uma caução de dois milhões de euros. Também à saída do tribunal, o advogado Castanheira das Neves diz que o importante era que o arguido fosse para casa, dado que tem 79 anos.

"O senhor juiz fixou as medidas coativas exatamente nos termos de promoção do Ministério Público. O fundamental era a possibilidade de retornar a casa, tendo em conta a sua idade", disse.

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