Afonso Taira e o arranque do Casa Pia em que só falta o regresso a Pina Manique

Com sete jogos na temporada, o Casa Pia está no 6.º lugar da Liga. Um regresso à elite do futebol pelo qual o clube aguardou 83 anos. Afonso Taira garante que a equipa está a demonstrar em campo aquilo que os adeptos merecem. Há agora que juntar o bom futebol a um regresso ansiado ao Estádio de Pina Manique.

Nem o facto de terem a casa às costas tem impedido o Casa Pia de surpreender no arranque da Liga portuguesa. Passaram mais de oito décadas desde a última participação do clube no primeiro escalão do futebol português, mas Afonso Taira garante que os jogadores não se deixam intimidar pelo peso da história do clube. E até a chamada à seleção de Leonardo Lelo e Saviour Godwin servem de alento.

Está a faltar o regresso ao estádio Pina Manique, prometido pela direção do clube - com a equipa a jogar no Jamor e em Leiria nesta primeira fase da temporada. "O clube está a trabalhar para isso, não só para os jogadores, mas para a estrutura, para os adeptos. Será um dia muito importante o dia do regresso a Pina Manique. Seria ótimo que conseguíssemos juntar a esse momento uma boa fase da equipa", explica o médio à TSF.

"Se pensarmos naquilo que estamos a apresentar em campo, podemos dizer que está dentro daquilo que esperávamos. Aquilo que pensamos e preparamos desde a pré-época está a valer-nos pontos, está a valer vitória, e, desse ponto de vista, estamos muito satisfeitos", comenta o jogador sobre a prestação da equipa nas primeiras jornadas.

Estabilidade e um novo projeto

Apesar das várias entradas de jogadores no plantel durante o verão, as equipas utilizadas pelo treinador Filipe Martins não se afastam muito das escolhas regulares da temporada passada na II Liga. Há nomes que se repetem. "Na minha opinião sim, (essa estabilidade no plantel ajuda), não falo dos jogadores do 11, mas sim no grupo de trabalho, na forma como mantêm o trabalho do treinador e da equipa técnica. E é assim que algumas das individualidade conseguem manter o nível de uma forma estruturada".

"Se falarmos do clube, tal como existe hoje, desde que nos encontrámos nesta direção, estamos a falar de algo relativamente novo. Claro que falamos de um clube com história abundante, centenário. Mas a verdade é que a equipa de trabalho, treinadores, jogadores, direção e toda a estrutura de apoio, sim, estamos a falar de algo novo", explica Taira.

"A identidade que se tenta criar, ainda que seja associada a um estilo de jogo que se reconhece ao fim de semana, assenta mais numa filosofia de clube, da forma de trabalhar, do profissionalismo e do positivismo que temos dentro de campo. Pela continuidade que tem a equipa técnica, isso tem-se notado dentro de campo. Aí sim, podemos atribuir o estilo de jogo à equipa técnica, mas também a quem escolhe os jogadores, quem trata dessas questões, que escolhe personalidades que nos podem ajudar", aponta o médio sobre a construção do plantel e o ambiente vivido diariamente no clube.

Modelo de jogo, Leonardo Lelo e Saviour, os novos internacionais

"A nossa ideia é ter uma equipa com organização, uma equipa que sabe o que fazer em todos os momentos do jogo. Para nós esse é o símbolo máximo de competência. Por outro lado, é algo que já vem da época passada, o nosso atrevimento. Temos a coragem de fazer as coisas que treinamos, para procurar os momentos de jogo que surpreendem os adeptos em grande parte. Esse atrevimento vem do treino, da semana", aponta o médio de 30 anos.

Um atrevimento que tem permitido destacar alguns jogadores. Entre eles Leonardo Lelo, 22 anos, convocado pela primeira vez para os sub-21 de Portugal por Rui Jorge nesta primeira paragem do campeonato. "Falando do Lelo, é um jogador que se tem mostrado, tanto na 1.ª Liga como no ano passado na 2.ª Liga, que, apesar de parecer não se evidenciar em características específicas, acaba por ser um jogador completo, que demonstra isso na sua consistência, na forma como aborda os vários jogos sem baixar o nível".

Afonso Taira elogia as prestações do jovem lateral, um elemento constante nas opções de Filipe Martins. "É um jogador robusto, se bem que, e já tive oportunidade de o dizer em várias conversas, possa parecer um jogador "comercial", acaba por ser tão consistente que vai ser sempre muito valorizado. Aqui, nesta equipa, evidencia-se por mérito próprio. Acredito que vai ter uma carreira muito consistente, seja aqui, numa outra equipa da primeira liga, ou se tiver de sair, lá por fora, numa carreira internacional. Tenho a certeza que vai ter uma carreira muito boa".

Já o avançado Saviour Godwin aparece muito mais vezes nos vídeos de resumo dos melhores momentos da equipa. É um dos novos jogadores da seleção da Nigéria, agora sob comando técnico do português José Peseiro. "É um jogador com características ímpares. É um jogador menos consistente do que o Lelo, por exemplo, mas isso acontece porque as características dele também o exigem. Por outro lado, é um jogador que consegue desbloquear momentos do jogo que outros não conseguem. Com a sua explosão, velocidade, a capacidade de transporte de jogo e a sua finalização, consegue desbloquear momentos do nosso jogo de uma forma muito vistosa, muito eficaz. Isso faz dele um dos jogadores em maior destaque da nossa equipa e do campeonato"

Os melhores médios da liga andam aos pares

Afonso Taira tem tido presença regular no onze inicial de Filipe Martins. No modelo do treinador, Taira destaca-se como um dos principais recuperadores de bolas da equipa - e da liga portuguesa -, numa parceria com nomes como Ângelo Neto, Eteki ou Romário Baró. "É um estilo de jogo no qual considero que encaixo perfeitamente. É também uma forma de jogar que me ajuda a ter um papel importante, a mim e ao médio que joga ao meu lado, no que a equipa precisa, seja a defender, a atacar, em vários momentos do jogo". Um trabalho de pares, complementar.

Tal como no Casa Pia, o meio campo com dois jogadores complementares é uma opção recorrente no atual futebol português, com exemplos mais notáveis de Sporting, Benfica ou Sporting de Braga. "Esse trabalho que desempenhamos, que em alguns momentos evidencia mais a recuperação, e noutros o passe, a construção, o domínio do jogo, a nós, médios, acaba por ser exigente, mas também muito satisfatório", salienta Afonso Taira.

"Neste momento é impossível não evidenciar o meio campo do Benfica e o arranque que fizeram. Digo-o não só porque são jogadores de qualidade, mas também porque são jogadores que apareceram esta temporada", explica o médio do Casa Pia sobre a dupla Florentino Luís/Enzo Fernández. "Destacam-se também porque são uma novidade", lembra Taira, que já defrontou este par no meio campo (vitória do Benfica por 0-1 em Leiria, casa emprestada do Casa Pia). "Pelo facto de a equipa estar a funcionar tão bem, evidencia também a dupla de meio campo que, parece-me, é neste momento a mais completa no campeonato".

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