Edwards "está mais forte, mas também mais eficaz". Antigo treinador fala de "jogador único"

A TSF convidou Adrie Poldervaart a comentar o lance do Sporting - Tottenham (2-0) em que Marcus Edwards dribla vários jogadores ingleses a partir do meio campo. A jogada não termina em golo, mas faz o treinador neerlandês recordar o "jogador único" que encontrou no Excelsior.

A forma de driblar, os espaços que procura e o uso da perna esquerda para contornar os adversários são marcas que Adrie Poldervaart reconhece nas imagens de Marcus Edwards com o número "10" do Sporting nas costas. O treinador que acolheu Edwards na primeira aventura do jogador fora do Reino Unido explica que o avançado melhorou muito a finalização e a capacidade para definir no último terço do terreno.

"Espere um minuto", pede Adrie Poldervaart ao telefone com a TSF. "Não vi o lance, mas tenho aqui uma plataforma que me vai dar o vídeo rapidamente. Só um momento."

Segundos depois, com o lance em tempo real, o técnico neerlandês inicia a descrição. "Ele passa pelo lateral direito. Sim, reconheço esta forma de correr e de driblar. Ah... Quase marcava. É incrível, o guarda-redes defendeu. Se procurarmos uma comparação (risos) parece a jogada do golo de Maradona à Inglaterra no Mundial de 1986. Mas é incrível que não tenha marcado. Inacreditável."

Recomposto, explica. "Isto é o melhor de Marcus Edwards, está aqui a essência dele. É baixinho, mas está mais forte, consigo ver pelo peito dele. Trabalhámos juntos há quatro anos, mas percebo que o fizeram evoluir. Repare como recebe a bola entre linhas, repare no quão rápido ele é na rotação."

Uma nova vida fora de Londres e do Tottenham

Adrie Polverdaart é atualmente treinador do De Graafschap, clube da 2.ª liga dos Países Baixos. Em 2018/2019, recebia no Excelsior um jogador de 20 anos, vindo de Inglaterra, de um dos grandes do futebol inglês. Era a primeira experiência fora do Reino Unido.

"Ele veio de um empréstimo - do Tottenham - ao Norwich City. Mas lá só tinha jogado cinco minutos. Sei que teve alguns problemas, não sei quais, mas sei que teve alguns problemas. Depois deixou a Inglaterra, veio para os Países Baixos jogar. Era um miúdo calado, e por isso coloquei-o a treinar no inverno com o meu adjunto, que ainda hoje trabalha comigo. O Marcus também saía muito com o nosso lateral esquerdo, e por isso acabou por se adaptar".

"Quando tem a bola é percetível a qualidade que tem. Era, para nós, um jogador único. Quando chegou, no inverno, ficou algum tempo no banco, até porque eu jogava num sistema que não era o mais adequado. Marcus teve de melhorar na fase defensiva antes de começar a jogar." Mas foi a eficiência ofensiva, ou o potencial que Edwards tinha nesse momento do jogo, que mais cativou o treinador. "Quando começou a jogar, não mais saiu da equipa. Jogou sempre."

Pochettino chamou-lhe um dia o mini-Messi. "Claro que tem algumas semelhanças com Messi, mas faltava-lhe eficácia (...) Trabalhamos muito na finalização. Acabamos até por criar uma ligação entre nós os dois."

O treinador recorda os números de Marcus Edwards e o golo que este marcou frente ao Arsenal, na Liga Europa, pelo Vitória SC. "Essa eficácia que foi demonstrando em Portugal fez com que se esclarecessem as dúvidas que eram lançadas sobre ele no início da carreira. Dizia-se que lhe faltavam golos, assistências" e agora os números estão lá. Mas o futebol de Marcus não se explica em estatísticas, antes em sensações: "Cresceu muitíssimo em Guimarães."

No Sporting, Rúben Amorim tem insistido em colocar Marcus Edwards, durante largos períodos do jogo, numa posição mais central. Adrie Poldervaart compreende e aplaude a decisão do treiandor português.

"A melhor qualidade do Marcus Edwards é a capacidade para jogar entre linhas. Por exemplo, o Ajax está a fazer o mesmo neste momento com um jogador chamado Kudus, utilizando-o na frente. Normalmente os avançados são fortes, com mais de um metro e noventa, ou então muito rápidos. O Marcus Edwards é baixo, mas consegue jogar ali no meio, com os centrais pela frente, entre linhas. As equipas têm de se adaptar a isto."

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