Novas cores para o Mundial
Crónica o meu mundial

Novas cores para o Mundial

Japão, Coreia do Sul, Austrália, Senegal, Estados Unidos, Marrocos roubaram as atenções neste campeonato do mundo de futebol na primeira fase. Seja qual for o desfecho para estas equipas, o Mundial de 2022 parece indicar que no futuro uma equipa fora do eixo Europa-América do Sul pode chegar longe e bater o pé a um dos crónicos candidatos.

É num Mundial realizado com a época europeia de futebol em pleno andamento que emergem equipas de outras latitudes a enfrentar os gigantes do futebol. Chegados a este ponto, à fase a eliminar, podem até morrer na praia todas estas seleções, mas já deixaram uma marca no Mundial de futebol.

Para o público português - ou pelo menos para os mais atentos à realidade da liga portuguesa, com bons exemplos entre as equipas locais - o talento da atual geração do futebol japonês salta à vista. Hidemasa Morita (Sporting), Shuichi Gonda (ex-Portimonense) ou Daizen Maeda (ex-Marítimo) são protagonistas numa equipa que se impõe pela organização e capacidade de resposta perante resultados adversos, algo apenas possível pela qualidade e quantidade de soluções na equipa japonesa.

Surpreende neste Mundial a ausência de proposta de jogo que procure maior protagonismo - tem médios com qualidade suficiente para uma proposta mais baseada na posse -, mas também pelas ausências de alguns dos jogadores que, na Europa - leia-se, na Liga dos Campeões -, são hoje figuras de destaque, como Reo Hatate ou Kyogo Furuhashi, ambos jogadores do Celtic de Glasgow. Mas não faltam opções neste Japão. Prova disso as escolhas do selecionador Hajime Moriyasu que dá condição de suplente a Kaoru Mitoma (Brighton), Takumi Minamino (Monaco) ou Takuma Asano (Bochum), com a aposta em Ritsu Doan (Friburgo) e no talentoso Kamada (Frankfurt) no apoio ao operário Maeda (ex-Marítimo, no Celtic).

Portugal esbarrou na organização da Coreia do Sul, uma equipa orientada por Paulo Bento. Embora com menos recursos individuais do que o Japão, os sul-coreanos mostram-se organizados, capazes de perceber onde estão os pontos fortes da equipa. Mesmo sem a qualidade habitual de Son Heung-min (Tottenham) a acelerar - não estão num momento exuberante -, há boas opções a crescer neste Mundial: Kang-in Lee, canhoto que ajuda a desbravar defesas baixas, ou Cho Gue-sung (ainda no Jeonbuk Motors), avançado imponente. Na defesa, a Coreia do Sul tem um dos melhores centrais do futebol europeu, que até já esteve na lista de alvos do Futebol Clube do Porto: o "monstro" Kim Min-jae, atleta do Nápoles.

Com a organização do Mundial à porta, os Estados Unidos deixam boas indicações para o futuro. Meio campo com jogadores que colam o jogo de toda a equipa, que parecem estar em todo o lado. Musah, McKennie e Adams, formatados a um estilo de jogo que se vê cada vez mais na Europa. Falta talento no eixo da defesa e no eixo do ataque, pelo menos ao nível de outros sectores. O Canadá também mostrou em 2022 que pode lutar por uma participação histórica no Mundial de 2026, onde é co-organizador. Já o México tem de mudar muita coisa numa equipa perdida entre duas gerações e onde as referências Guardado, Herrera ou Jimenez parecem estar em declínio.

E ainda há Ziyech, Hakimi, Laidouni, o esquerdino Kudus, o gigante Souttar, Koul, Sarr, Dia.

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