PSD quer ouvir secretário de Estado sobre divergências entre atletas e federação de judo

Os sociais-democratas referem que a inviabilização das verbas para a preparação e presença nos Jogos Olímpicos "contrasta com o reforço de financiamento para o Projeto Olímpico 2024".

O PSD pediu esta terça-feira a audição do secretário de Estado da Juventude e do Desporto sobre as divergências públicas entre atletas e a Federação Portuguesa de Judo, considerando que a situação tem "contornos muito graves".

Num requerimento assinado pelo vice-presidente da bancada e líder da JSD Alexandre Poço, os sociais-democratas justificam o pedido depois de ter sido noticiado que a Federação Portuguesa de Judo despediu a selecionadora Ana Hormigo, a um dia de a seleção portuguesa viajar para competir no Grand Slam de Abu Dhabi, uma competição de apuramento para os Jogos Olímpicos 2024.

"Na sequência deste despedimento, Telma Monteiro, a judoca portuguesa mais medalhada de sempre, avançou com fortes críticas à Federação e à gestão dessa instituição presidida por Jorge Fernandes", aponta ainda o PSD, recordando que esta atleta já tinha acusado, em conjunto com outras, o dirigente de opressão e discriminação no seio da Federação.

O PSD salienta que, em paralelo, foi noticiado que a Federação Portuguesa de Judo "terá comunicado a dois atletas a falta de verba, inviabilizando-lhes a preparação e a presença nos Jogos Olímpicos 2024".

"Facto este que contrasta com o reforço de financiamento para o Projeto Olímpico 2024 anunciado pelo senhor secretário de Estado, tendo os respetivos contratos programa sido assinados no passado dia 14 de outubro", sublinha o partido.

O Grupo Parlamentar do PSD "considera ser necessário e urgente esclarecer esta situação de contornos muito graves", justificando o pedido de uma audição parlamentar do secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Correia.

Na segunda-feira, o governante lamentou as divergências entre atletas e a Federação Portuguesa de Judo, considerando que há situações na modalidade que "têm de ser esclarecidas".

"Lamento que não tenha imperado o bom senso na modalidade, e face às acusações que são feitas por um conjunto de atletas relativamente à Federação, importa esclarecer algumas situações", disse João Paulo Correia, à margem de uma visita às instalações do Paços de Ferreira, clube da I Liga de futebol.

João Paulo Correia identificou duas vertentes do problema, uma relacionada "com transparência e rigor na despesa da preparação olímpica dos atletas da modalidade", que considera "terá de ser o Comité Olímpico de Portugal (COP) a esclarecer com a Federação" e uma outra englobando o facto de "alguns atletas dizerem que a federação lhes comunicou não havia mais verbas para a sua preparação [olímpica]".

O governante, que anteriormente já tinha mediado algumas divergências entre atletas e federação, disse "não poder fingir que não há um desentendimento grave na modalidade", mas acredita que "pode ser resolvido".

"Estamos numa fase de procurar as respostas às acusações feitas e a seu tempo a situação será esclarecida. Já a 15 de agosto foi possível promover um acordo entre a federação e um conjunto de atletas", lembrou João Paulo Correia.

No verão, atletas como Telma Monteiro, Catarina Costa, Patrícia Sampaio, Rochele Nunes, Bárbara Timo, Anri Egutidze e Rodrigo Lopes escreveram uma carta, na qual acusavam o presidente de Federação Portuguesa de Judo, Jorge Fernandes, de opressão, discriminação e ameaças, lamentando o "clima insustentável e tóxico".

O dirigente federativo contrapôs, dizendo que os atletas têm direitos e deveres e não podem "denegrir a imagem das pessoas", recusando novamente as acusações que lhe foram feitas na carta aberta, lembrando que em relação às verbas do projeto olímpico "não existe dinheiro para tudo".

Na segunda-feira, Telma Monteiro denunciou que Federação Portuguesa de Judo despediu a selecionadora Ana Hormigo, a um dia de a equipa viajar para competir no Grand Slam de Abu Dhabi, de apuramento para os Jogos Olímpicos.

O presidente de federação contrapôs, dizendo que Ana Hormigo não foi despedida, mas sim afastada das seleções, explicando em declarações à Lusa que o caso está entregue aos advogados do organismo.

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