Reinado Agnelli chega ao fim. Direção da Juventus demite-se após investigação por falsificação de contas

Andrea Agnelli presidiu o clube italiano nos últimos 12 anos e venceu nove títulos da Liga Italiana.

A direção da Juventus demitiu-se em bloco, esta segunda-feira, no âmbito de uma investigação por alegada fraude fiscal e irregularidades na transferência e empréstimos de jogadores do clube italiano. Entre as demissões está a do presidente Andrea Agnelli e do vice-presidente Pavel Nedved.

A administração do clube de Turim chegou a procurar aconselhamento jurídico independente, mas acabaram por se demitir devido à publicação de "novos pareceres jurídicos e contabilísticos" e devido à "centralidade e relevância dos assuntos jurídicos e técnicos/contabilísticos pendentes", anunciou a equipa, em comunicado.

Com a demissão, termina o capítulo da administração de Agnelli, que, como presidente, venceu nove títulos da Série A e ajudou a equipa a chegar à final da Liga dos Campeões em 2015 e 2017.

Sob proposta de Andrea Agnelli, que comandou a formação de Turim nos últimos 12 anos, e tendo em conta "a relevância dos assuntos legais e técnico contabilísticos pendentes", todos os administradores pediram a demissão, lê-se no sítio de internet da 'vecchia signora'.

Em causa estão as recentes investigações das autoridades transalpinas sobre duas alegadas 'manobras' fiscais da Juventus, relacionadas com a inflação fictícia dos preços de mercado dos jogadores da equipa principal para obter maiores lucros na sua posterior venda, e o adiamento de pagamentos a jogadores no exercício de 2020, marcado pela pandemia de covid-19, de forma a que as verbas não fossem consideradas no respetivo ano fiscal.

Quanto ao último ponto, o acordo com os jogadores terá sido firmado em março de 2000, pressupondo a renúncia temporária a quatro meses de salário, e, entre eles, estará o português Cristiano Ronaldo, segundo vários órgãos de comunicação social italianos.

As notícias relatam que a autoridade tributária de Turim encontrou, durante as buscas efetuadas no mês de outubro, um documento no qual a Juventus se comprometia a pagar 19,8 milhões de euros a Ronaldo, exatamente o montante correspondente a quatro meses de salário, numa investigação que segue em curso.

Esta segunda-feira, e a pedido da administração de Agnelli, foi indicado que o conselheiro delegado da Juventus, Maurizio Arrivabene, vai manter-se em funções durante o período de transição para a nova administração.

Andrea foi o quarto Agnelli a presidir o clube, depois de o seu avô Edoardo, o seu tio Gianni, e o seu pai Umberto.

Os outros administradores que deixaram as funções, além de Andrea e Nedved, são Laurence Debroux, Massimo Della Ragione, Katryn Fink, Daniela Marilungo, Francesco Roncaglio, Giorgio Tacchia e Suzanne Keywood.

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