Torcer pelos mais fracos, mas no jogo da teoria?
Crónica o meu mundial

Torcer pelos mais fracos, mas no jogo da teoria?

É sempre curioso o hábito de perceber quem é o Golias e quem é o David. Antes do Mundial arrancar, tinha o desejo de ver os craques a jogar, mas depois até festejei os golos que derrotaram as equipas dessas estrelas do futebol.

É um desejo, um sentimento, um instinto humano a necessidade de que muitos de nós temos para apoiar quem menos recursos apresenta para enfrentar o "Golias". Também têm esse impulso?

E aqui admito. Festejei os golos do Irão de Carlos Queiroz contra o País de Gales de Gareth Bale, sorri quando Marrocos venceu (com muita justiça) a constelação de estrelas da seleção da Bélgica. Quando o Japão abateu a Alemanha, abanei a cabeça com um sinal de afirmação, mas também me levantei para ver e rever o golo (e que golo) da vitória da Arábia Saudita contra o Messi. Mas porquê?

Antes de arrancar o Campeonato do Mundo temos um desejo que nos preenche de ver a magia de Kevin De Bruyne, do Messi, do Bale, do Kimmich e do Musiala. Porque são estes os jogadores que nos fazem ver o futebol com a alegria e com os sorrisos nos lábios. São eles que nos obrigam a discutir horas e horas sobre um jogo com 22 jogadores num relvado a perseguir uma bola. Mas neste caso, são eles que escondem a bola. São eles que obrigam os outros a correr. São eles que obrigam os treinadores a esquematizarem o futebol com réguas e esquadros para assim os travarem. Então, o porquê de festejarmos os golos das outras equipas?

Gostamos de surpresas? Ou, gostamos das expressões; "Vês, eu já sabia!" - "Estava-se mesmo a ver" - "Eu avisei" - "Não me surpreende" - são estas frases que alimentam a necessidade de vermos surpresas no futebol? Talvez.

Eu gosto das surpresas. Mas sem contar com as equipas que apoio. Nesse caso, desculpa David, mas o Golias tem que ganhar.

E sim, Portugal é um Golias neste Campeonato do Mundo. Não sou apreciador da falsa modéstia, e não confundir com o respeito pelo adversário, isso tem de estar sempre presente. Mas a falsa modéstia dispenso. Então a expressão do "jogo a jogo", admito que já me irrita. Então haveria de ser como? De meia em meia parte?

A equipa portuguesa conseguiu provar, mesmo não fazendo exibições brilhantes, que tem melhores jogadores que a grande maioria das outras seleções. Dois jogos e duas vitórias, e assim já sabemos que a equipa das quinas vai prolongar por mais uns dias a estadia no Qatar.

A Seleção Nacional tem que assumir o estatuto de Golias. Não tem mal nenhum contar no plantel com craques de nível mundial. Os mesmos craques que os adeptos de outras seleções desejam ver jogar no Campeonato do Mundo, mas que também esperam ver perder. Cá está, outra vez, aquele desejo de ver o David ganhar uma batalha.

Portugal só tem que contrariar esse instinto humano e provar que tem capacidade para fazer história em 2022.

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