Os segredos do Universo nas imagens captadas pelo telescópio James Webb. Veja aqui

Uma visão única do Universo que deixou o diretor de ciência na NASA à beira das lágrimas: estas são as primeiras imagens do telescópio James Webb.

Já foram desvendadas as primeiras imagens a cores captadas pelo telescópio espacial James Webb. Mantidas em segredo absoluto até agora, representam uma visão até agora impossível de conceber: um retrato do passado.

Os astrónomos esperam com o James Webb obter mais dados sobre os primórdios do Universo, incluindo o nascimento das primeiras galáxias e estrelas, mas também sobre a formação de planetas.

As imagens de infravermelhos captadas por aquele que é o mais potente telescópio alguma vez enviado para o Espaço deixaram o astrofísico Thomas Hansueli Zurbuchen, diretor de ciência na NASA, à beira das lágrimas.

"É muito difícil não olhar para o universo com uma nova perspetiva e não sentir um momento que é profundamente pessoal", afirmou. "É um momento emocional quando vemos a natureza a revelar subitamente alguns dos seus segredos".

Entre os pontos do Universo refletidos nos espelhos dourados do telescópio James Webb destacam-se:

A Nebulosa Carina, uma das maiores e mais brilhantes nebulosas no céu, localizada a cerca de 7.600 anos-luz da Terra, na constelação Carina;

O Quinteto de Stephan, um grupo de cinco galáxias situado a 290 milhões de anos-luz da Terra, na constelação Pegasus;

A Nebulosa do Anel Sul, uma nuvem de gás que rodeia uma estrela moribunda;

O corpo celeste SMACS 0723, onde "grandes aglomerados de galáxias em primeiro plano ampliam e distorcem a luz dos objetos atrás deles, permitindo uma visão de campo profundo das populações de galáxias extremamente distantes";

O espectro do planeta WASP-96b, um planeta gigante fora do Sistema Solar descoberto em 2014, composto principalmente por gás e localizado quase a 1.150 anos-luz da Terra e orbita a sua estrela a cada 3,4 dias. Apesar de ter assinatura de vapor de água na sua atmosfera, é "inabitável".

Esta terça-feira já tinha sido revelada a primeira imagem captada pelo James Webb, o aglomerado de galáxias SMACS 0723, exatamente como era há cerca de 4,6 mil milhões de anos.

Aventura começou no Natal

O telescópio James Webb foi enviado para o espaço no dia 25 de dezembro de 2021, após sucessivos atrasos. Passou por um período de seis meses dedicado à calibração dos seus instrumentos no Espaço e encontra-se agora em órbita a 1,5 milhões de quilómetros da Terra.

Ao contrário do telescópio Hubble, que gira em torno da Terra, o James Webb está em redor do Sol, a uma distância que replica quatro vezes a que separa a Terra da Lua.

O telescópio e os seus quatro instrumentos estão protegidos do calor e da luz solar por um escudo do tamanho de um campo de ténis que garante a necessária escuridão e temperatura (em graus negativos) para capturar a luz ténue proveniente dos confins do Universo.

O espelho principal do Webb tem 6,5 metros de diâmetro (mais 4,1 metros do que o do Hubble) e é composto por 18 segmentos hexagonais que funcionam como um todo, melhorando a sua sensibilidade (100 vezes superior à do Hubble).

Os instrumentos do James Webb permitem recolher imagens dos corpos celestes e decompor a sua luz (captada no infravermelho, luz que não é visível ao olho humano) para estudar as propriedades físicas e químicas dos corpos observados.

Antes de poder iniciar os seus trabalhos científicos, o telescópio passou por um período de seis meses dedicado à calibração dos seus instrumentos no espaço e ao alinhamento dos seus espelhos.

A astrónoma portuguesa Catarina Alves de Oliveira, que trabalha no Centro de Operações Científicas da ESA, em Espanha, é responsável pela calibração de um dos quatro instrumentos, participando na campanha de preparação das observações com fins científicos.

Vários cientistas portugueses estão envolvidos em projetos de investigação que implicam tempo de observação com o telescópio.

Os astrónomos esperam com o James Webb obter mais dados sobre os primórdios do Universo, incluindo o nascimento das primeiras galáxias e estrelas, mas também sobre a formação de planetas.

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de