RoboCup 2022: Portugal sagra-se campeão mundial de futebol. Veja a final

Futebol de simulação robótica em 3D, bem entendido.

Foi de goleada em goleada que a equipa Portugal FC venceu a respetiva liga na RoboCup 2022. No total, diz Luís Paulo Reis, "marcámos 84 golos e só sofremos dois".

A facilidade foi tanta que "podíamos ter ganho por mais, mas optámos por não exagerar", admite o professor universitário e especialista em inteligência artificial. No fundo, "podíamos ganhar dez a zero, mas não queremos isso. Queremos que os adversários pensem que podem competir".

Mind games. Estratégias humanas que ajudaram os robôs digitais desenvolvidos em Portugal a golearem os adversários.

A RoboCup 2022, a mais importante competição de robótica no mundo, decorreu em Banguecoque, na Tailândia. As competições vão desde as operações de resgate e salvamento, passando por corridas de obstáculos, até ao futebol.

Aqui há várias ligas e campeonatos. Uma para robôs com aparência humana, outra para geringonças de vários tamanhos e por fim, uma que é apenas dedicada ao software. Robôs carregados com inteligência artificial e mais cerebrais, portanto.

Foi com os olhos postos no ecrã de um computador que os representantes portugueses celebraram a vitória na modalidade de Simulação de Robôs em 3D.

A equipa nacional, criada por elementos da Universidade de Aveiro e da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, deixou pelo caminho uma série de adversários de peso, nomeadamente os "crónicos" campeões do mundo, uma equipa norte-americana baseada na Universidade do Texas.

Na final, frente a uma equipa da Universidade de Ciências Aplicadas de Offenburg, na Alemanha, os robôs de software da Portugal FC ganharam por 6-1.

A verdade é que a equipa criada na Universidade de Aveiro e na FEUP, no Porto joga muito à bola. Para o professor "o nosso software tem uma movimentação em campo muito rápida e omnidirecional [...] e uma manipulação de bola, um drible e um chuto, absolutamente excepcional".

Robôs bons de bola que ficaram ainda melhores depois das técnicas aplicadas pela mais recente contratação da equipa, o aluno de doutoramento Miguel Abreu. Ele aplicou uma técnica chamada Aprendizagem por Reforço Profunda, para pôr os androides virtuais a jogar ainda melhor.

O resultado é arrasador para os adversários uma vez que, como explica o professor Luís Paulo Reis, "conseguimos pôr um robô a driblar todos os adversários e marcar golo". A vantagem é de tal ordem que "só usamos este comportamento individual até estarmos a ganhar por mais de três".

Nessa altura, ponto final no "individualismo" e o software entra em modo "equipa". Muda muita coisa? Não. O resultado é mais do mesmo: uma série de golos até ao apito final.

A equipa, este ano, foi composta por Miguel Abreu (estudante do Programa Doutoral em Engenharia Informática da FEUP e investigador do LIACC), Nuno Lau (Universidade de Aveiro/IEETA) e Luís Paulo Reis (FEUP/LIACC), embora outros estudantes das Universidades do Porto e Aveiro tenham também colaborado no seu desenvolvimento.

Esta foi a primeira vitória de uma equipa portuguesa numa competição principal do RoboCup desde a vitória da equipa CAMBADA, da Universidade de Aveiro, em 2008, na Liga de Robôs Médios. A equipa FC Portugal venceu a competição de Simulação 3D do RoboCup 2022 depois de dois terceiros lugares em 2016 e 2018.

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