Startup vai construir "apartamentos para peixes" em Cascais, Comporta e Madeira

A The Reef Company quer construir uma rede inteligente de recifes projetados em tudo o mundo, para restaurar habitats. Vai começar por Portugal.

Alguns dos recifes de corais mais fabulosos do mundo, responsáveis por 25% da vida marinha, estão a ser danificados pelas alterações climáticas. Em Cascais, na Comporta e na Madeira, onde antes havia muita vida debaixo de água, o fundo oceânico parece agora um deserto. Para reverter a situação, a startup The Reef Company vai construir recifes para regenerar a biodiversidade, absorver carbono e recolher mais dados oceânicos.

"Neste momento 50% dos recifes já desapareceram e, em 2050, 90% deles vão estar destruídos. Isso vai ter um impacto enorme na cadeia de valor dos oceanos. Existe um bilião de pessoas no mundo que depende diretamente de recifes saudáveis para sobreviver e 60% da população mundial depende de proteína proveniente da vida marinha", explicou à TSF Martim Clara, cofundador da The Reef Company, à margem da conferência dos oceanos.

A empresa foi criada por Jeroen van de Waal, um empresário holandês apaixonado pelos oceanos. Já trabalhou em países como Brasil e China, mas escolheu Portugal como casa. Na vasta plataforma oceânica de Portugal é mesmo isso que pretendem fazer: construir "apartamentos para peixes".

"Estamos a construir recifes modulares, que se encaixam uns sobre os outros. Temos quatro tipos diferentes de recife, de quatro tamanhos. O maior deles tem cinco por cinco metros e pesa 55 toneladas. São empilháveis, podemos construir uma espécie de edifícios debaixo de água. No fundo são apartamentos para peixes. Estes recifes são construídos como alternativa ao betão, com geopolímero, e utilizamos resíduos de dragagens, por exemplo, para construir este material", revelou o cofundador da startup.

Os primeiros três projetos-piloto vão ser lançados em Cascais, na Comporta e na Madeira e já está praticamente tudo pronto para avançar.

"A plataforma oceânica de Portugal é enorme e escolhemos estrategicamente. Para o da Comporta e Cascais já temos as licenças quase aprovadas, temos o apoio do Governo e pretendemos fazê-las nestas zonas porque identificámos que lá o fundo oceânico parece um deserto. Anteriormente havia muito mais vida lá, pretendemos reconstruir o habitat", acrescentou.

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