AstraZeneca reage a polémica: "As únicas exportações planeadas são para países Covax"

Das 29 milhões de doses encontradas, a farmacêutica garante que 13 milhões têm como destino países mais pobres. Os outros 16 milhões devem ser entregues à União Europeia.

A AstraZeneca garante que as únicas exportações que tem planeadas são para os países Covax. Em comunicado enviado à TSF, a farmacêutica esclarece que 13 milhões de doses aguardam luz verde do controlo de qualidade para poderem ser enviadas para os países mais pobres. A AstraZeneca lembra o compromisso de fornecer milhões de vacinas aos estados Covax, um programa que conta com o apoio de Bruxelas.

A vacina foi produzida fora da União Europeia (UE) e levada para a fábrica italiana para ser embalada. Por isso, a farmacêutica considera incorreto falar de armazenamento de milhões de doses nesse mesmo local.

Além das vacinas destinadas ao programa internacional Covax, a AstraZeneca refere também que os outros 16 milhões destinam-se aos países da UE, estando apenas à espera de aprovação. O plano é entregar essas vacinas à Europa na última semana de março, e o restante em abril.

O vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis diz que a farmacêutica está em falta com a UE e considera que cabe à AstraZeneca explicar o que ia fazer com as doses que foram encontradas.

"No que diz respeito às doses que estão em Itália, da AstraZeneca, é suposto ser a empresa a comentar que intenções tem relativamente ao abastecimento dessas doses. O que podemos dizer, da nossa parte, é que a AstraZeneca está muito longe dos compromissos contratualizados. Comprometeram-se a 120 milhões de doses para a União Europeia na primeira metade do ano. Estão a prometer serem capazes de entregar 30 milhões de doses, mas nem sequer estão perto desse número até hoje", afirma.

Num comunicado conjunto, o Governo britânico e a Comissão Europeia garantem que estão a analisar os passos concretos que podem ser dados para alargar o fornecimento de vacinas, tanto aos europeus, como aos britânicos. Bruxelas e Londres afirmam querer criar uma situação vantajosa para ambos os lados e, por isso, vão continuar as negociações.

Os esclarecimentos da farmacêutica anglo-sueca são dados após a descoberta de 29 milhões de vacinas num armazém perto de Roma, em Itália, cujo destino seria o Reino Unido. Esta descoberta surge na sequência de uma investigação iniciada por recomendação da Comissão Europeia, que pretende controlar a exportação de vacinas para fora dos 27 até que a AstraZeneca entregue as doses prometidas à Europa.

A remessa encontrada corresponde quase ao dobro do que a farmacêutica enviou à UE nos últimos meses.

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