Atacante de Salman Rushdie elogiado pela imprensa conservadora do Irão

"Homem corajoso e consciente do seu dever" que "rasgou o pescoço do inimigo de Deus com uma faca", escreveu o principal jornal ultraconservador do Irão, Kayhan.

O principal diário ultraconservador do Irão, Kayhan, felicitou este sábado o homem que apunhalou, nos Estados Unidos, o escritor Salman Rushdie, autor do romance "Os Versículos Satânicos", que lhe valeu uma sentença de morte decretada há mais de 30 anos.

O ataque contra o escritor britânico aconteceu na sexta-feira, no palco do Chautauqua Institution, um centro cultural situado no estado de Nova Iorque, onde Rushdie se preparava para discursar.

"Bravo a este homem corajoso e consciente do seu dever que atacou o apóstata e vicioso Salman Rushdie", escreveu o jornal, cujo diretor é nomeado pelo líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei.

"Beijemos a mão daquele que rasgou o pescoço do inimigo de Deus com uma faca", acrescenta.

Salman Rushdie foi atacado no pescoço e abdómen quando se encontrava no palco do Chautauqua Institution. Segundo o seu agente, o escritor foi colocado em suporte de vida e poderá vir a perder um olho.

As autoridades iranianas ainda não comentaram oficialmente a tentativa de assassinato do intelectual de 75 anos.

Seguindo a linha oficial, todos os meios de comunicação iranianos descreveram Rushdie como um "apóstata", com exceção do Etemad, um jornal reformista.

O diário estatal Irão disse que "o pescoço do diabo" tinha sido "golpeado por uma navalha".

"Não derramarei lágrimas por um escritor que denuncia os muçulmanos e o Islão com infinito ódio e desprezo", escreveu Mohammad Marandi, conselheiro da equipa de negociação nuclear, num tweet.

"Rushdie é um peão do império a posar como romancista pós-colonial", acrescentou.

Salman Rushdie incendiou parte do mundo muçulmano com a publicação, em setembro de 1988, do livro "Os Versículos Satânicos", levando o fundador da República Islâmica, ayatollah Rouhollah Khomeini, a emitir uma "fatwa" (decreto religioso) em 1989 apelando para o seu assassinato.

Esta sentença de morte, que perdura há mais de 30 anos, foi ordenada pelo alegado crime de "blasfémia", que custou ao escritor a possibilidade de uma vida normal e o afastou da família.

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