China cede à pressão dos protestos e alivia restrições à Covid-19

Governo da capital chinesa já anunciou que as saídas dos prédios não vão estar bloqueadas como até agora acontecia.

Algumas cidades na China estão a aliviar as restrições no combate à Covid-19. O país tem sido rigoroso na defesa de uma política de Covid zero, mas depois de uma onda de protestos no fim de semana, Pequim e outras cidades parecem estar a ceder.

O governo da capital chinesa já anunciou que as saídas dos prédios não vão estar bloqueadas como até agora acontecia para impedir o acesso a áreas residenciais onde estivessem pessoas com Covid-19. Um funcionário da cidade, citado pela imprensa chinesa, explicou que as passagens devem estar abertas para casos de emergência como resgates ou assistência médica.

Segundo o jornal South China Morning Post, as autoridades de Pequim e também de Guangzhou informaram a população de que mesmo quando estão em quarentena já podem sair de casa quando precisarem. A Deutsche Welle, emissora pública alemã, conta que o alívio de medidas também se estende ao comércio.

Em Ürümqi, capital da região de Xijiang, já se anunciou que vão ser reabertos os mercados em áreas onde o risco de infeção seja considerado baixo e o serviço público de autocarros também vai ser retomado.

Um alívio semelhante de medidas parece estar a acontecer em Cantão. Na maior cidade a sul da China os habitantes de algumas áreas já não vão ter de fazer testes em massa. As autoridades alegam que as medidas têm como objetivo conservar recursos.

Entretanto, na cobertura jornalística destes protestos, já houve detenções de jornalistas. A BBC denunciou que um jornalista foi preso em Xangai e espancado pela polícia quando estava detido, mas não foi caso único. Também um jornalista da Rádio e Televisão Suíça foi assediado enquanto estava em direto.

A União Europeia de Radiodifusão (EBU), que junta mais de cem emissoras a nível europeu, já veio condenar estas detenções, lamenta que não tenha havido nenhum pedido de desculpas oficial por parte das autoridades chinesas e pede que os direitos dos jornalistas sejam respeitados de forma urgente.

Uma mudança de rumo na China, mas limitada porque o governo chinês parece não querer mudar de estratégia. O jornal oficial do Partido Comunista Chinês já veio apelar a que a política de Covid zero continue a ser executada de forma eficaz.

No domingo, uma multidão de manifestantes, respondendo a convocatórias nas redes sociais, saiu à rua, em particular em Pequim, Xangai e Wuhan, apanhando as forças de segurança desprevenidas.

Pela sua extensão no território do país, a mobilização parece a maior desde as concentrações em prol da democracia de 1989, duramente reprimidas e que as autoridades chinesas insistem que nunca ocorreram.

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