Comité norueguês apela à Bielorrússia para libertar Ales Beliatski

Preso desde 2020, o vencedor do Nobel da Paz deste ano tem sido o rosto da defesa dos direitos humanos na Bielorrússia.

O Comité Nobel norueguês apelou esta sexta-feira à Bielorrússia para libertar o ativista Ales Beliatski, distinguido com o Prémio Nobel da Paz deste ano, conjuntamente com duas organizações não-governamentais (ONG) da Rússia e da Ucrânia.

"A nossa mensagem é instar as autoridades da Bielorrússia a libertar Beliatski e esperamos que isso aconteça e que ele venha a Oslo para receber o prémio", disse a presidente do Comité Nobel norueguês, Berit Reiss-Andersen.

"Mas há milhares de presos políticos na Bielorrússia e receio que o meu desejo possa não ser muito realista", admitiu, na conferência de imprensa após ter anunciado os vencedores do Nobel da Paz.

Além de Ales Beliatski, o prémio foi atribuído às ONG russa Memorial e ucraniana Centro de Liberdades Civis.

O prémio Nobel da Paz será entregue em Oslo, em 10 de dezembro.

Preso desde 2020, Beliatski, 60 anos, tem sido o rosto da defesa dos direitos humanos na Bielorrússia.

Em 1996, fundou a ONG Viasna (Primavera) durante ações de protesto em massa contra o regime do Presidente Alexander Lukashenko, no poder desde 1994.

Criada inicialmente para ajudar presos políticos, a organização alargou o seu trabalho e registou-se como Centro de Direitos Humanos Viasna em 1999.

Desde então, tem sido considerada fundamental na fiscalização de abusos dos direitos na Bielorrússia, desde detenções nas manifestações até à defesa dos presos políticos e à monitorização das eleições.

Membro da Federação Internacional dos Direitos Humanos e com sede em Minsk, a Viasna diz ter cerca de 200 membros em todo o país, com representações na maioria das cidades.

Durante o movimento de protesto contra a reeleição de Lukashenko para um sexto mandato consecutivo em 2020, numa eleição considerada fraudulenta, a Viasna documentou milhares de testemunhos de vítimas de tortura de pessoas detidas na altura.

Em reação, Beliatski foi preso em 2021, por alegados crimes fiscais.

Esta não foi a primeira vez que Beliatski esteve na prisão, já que tinha estado encarcerado durante quase três anos, de 2011 a 2014.

Na altura, as autoridades alegaram também questões fiscais, mas a sua detenção ocorreu alguns meses após uma eleição presidencial que já tinha dado origem a manifestações de protesto severamente reprimidas, segundo a agência francesa AFP.

Em agosto de 2020, poucos dias após a reeleição de Lukashenko, Beliatski disse que havia um "verdadeiro terror" no país.

"O objetivo é muito simples: manter o poder a todo o custo e espalhar o medo na sociedade", denunciou então, citado pela AFP.

Ao anunciar hoje o prémio, o Comité Nobel norueguês disse que as autoridades de Minsk "têm procurado repetidamente silenciar" Beliatski.

"Apesar das enormes dificuldades pessoais, Beliatski não cedeu um centímetro na sua luta pelos direitos humanos e pela democracia na Bielorrússia", acrescentou.

Lukashenko, 68 anos, é o primeiro e único Presidente da República da Bielorrússia, uma antiga república da extinta União Soviética.

Aliado do Presidente russo, Vladimir Putin, Lukashenko apoiou a invasão russa da Ucrânia, em 24 de fevereiro deste ano.

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