Detetadas variantes do coronavírus de Los Andes e do Reino Unido na Venezuela

Maduro alerta: "Quando a variante brasileira chegou, dobrou o número de casos e mortes na Venezuela, então temos que cuidar-nos. Estamos numa batalha permanente."

O Presidente venezuelano Nicolás Maduro anunciou no domingo que foram detetadas, na Venezuela, as variantes "andina" (da Cordilheira de Los Andes, América do Sul) e do Reino Unido no país e instou a população a manter proteger-se contra o coronavírus.

Maduro reclamou ainda que o Fundo de Acesso Global para Vacinas Covid-19 (mecanismo Covax) tem uma dívida com o seu país, pois ainda não enviou as vacinas compradas por Caracas.

"Na fronteira de Zúlia (estado venezuelano fronteiriço com a Colômbia) detetámos a variante 'andina'. Essa não conhecíamos muito, mas é uma variante que surgiu no Chile, Peru e Equador, e que agora está na Colômbia", disse.

O governante falava na apresentação de um balanço de luta contra a pandemia da Covid-29, transmitido pela televisão estatal venezuelana.

Durante o balanço Nicolás Maduro precisou que foram também detetados casos da variante "andina" no estado venezuelano de Trujillo (oeste do país, vizinho de Zúlia) e que estão a ser analisados casos da "variante britânica", detetados no estado de Apure (sudoeste do país), provenientes da Colômbia.

"Significa que se trata de uma doença que está em mutação, que está a criar variantes. Quando a variante brasileira chegou, dobrou o número de casos e mortes na Venezuela, então temos que cuidar-nos. Estamos numa batalha permanente", frisou.

Por outro lado, voltou a insistir que há "uma guerra suja" contra a Venezuela, "lobbys" que pretendem impedir o país de conseguir vacinar a população.

"Tenho sofrido em silêncio (...) temos trabalhado todos os dias (...) para conseguir as vacinas para o povo da Venezuela, e estamos conseguindo", disse.

"Às vezes não podemos fazer os anúncios porque imediatamente esta gente perversa, demoníaca, se mexe para tratar de travar (o envio de) as vacinas para a Venezuela", frisou.

"Isso é verdade e assim denuncio perante a Comunidade Internacional. A Venezuela poderia ser o único país do mundo que é alvo de uma perseguição contra o seu direito a comprar livremente as vacinas, a qualquer empresa que fabrique vacinas contra a Covid-19", frisou.

"O sistema Covax tem uma dívida com a Venezuela. Fizemos um depósito em abril e estamos aguardando as vacinas", disse, precisando que Caracas pagou 120 milhões de dólares norte-americanos por 11 milhões de vacinas contra a Covid-19.

A Venezuela iniciou, a 28 de maio, a "vacinação em massa" da população contra a Covid-19, em 27 centros adaptados para a imunização.

Milhares de pessoas foram notificadas pelas autoridades, através de SMS, para acudir aos centros de imunização, onde ficam várias horas em fila para ser atendidas e nalguns casos regressam a casa sem ser vacinados, porque esgotaram as vacinas do dia.

Desde março de 2020 que a Venezuela está em quarentena preventiva e atualmente tem um sistema de sete dias de flexibilização seguidos de outros sete dias de confinamento rigoroso.

A imprensa local deu conta da chegada, até agora, de pelo menos três milhões de vacinas da chinesa Sinopharm e da russa Sputnik V.

De acordo com a Federação Médica Venezuelana, são necessárias 40 milhões de doses de vacinas.

O país contabilizou 2719 mortes e 242.138 casos da doença, desde o início da pandemia, de acordo com dados oficiais.

A pandemia de Covid-19 provocou, pelo menos, 3.723.381 mortos no mundo, resultantes de mais de 172 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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