"É um monstro." Incêndio perto de Bordéus força dez mil pessoas a sair de casa

Fogo no departamento de Gironda está a ser combatido há já três dias, num momento em que França enfrenta a terceira vaga de calor deste verão.

Numa altura em que em Portugal o fogo que lavra na Serra da Estrela não dá tréguas aos bombeiros, em França, mais de mil operacionais combatem há três dias um incêndio de grandes dimensões perto de Bordéus, que já obrigou a que 10 mil pessoas fossem retiradas das suas casas.

Comparado a um "monstro", o incêndio no departamento de Gironda, na região de Nova Aquitânia, destruiu mais de uma de uma dúzia de propriedades e queimou mais de 6.800 hectares de floresta, de acordo com o ponto de situação feito pelas autoridades na manhã desta quinta-feira.

"É um ogre, é um monstro", disse Gregory Allione, da Federação Nacional de Bombeiros Sapadores (FNSPF), em declarações à rádio RTL. A prioridade, frisou o autarca Martin Guespereau numa conferência de imprensa, "é proteger vidas humanas". Por isso, e para evitar uma catástrofe, as autoridades optaram por evacuar as localidades próximas do incêndio. Para muitos, por exemplo em Landes, é a segunda vez que tal acontece este verão.

Para esta quinta-feira, prevê-se mais um dia complicado para os bombeiros no terreno, com "condições particularmente difíceis" devido às altas temperaturas, com termómetros a chegar aos 40 graus, uma situação meteorológica que se deverá manter até sábado.

As autoridades alertam que, o tempo extremamente quente, combinado com o ar muito seco e a ausência de chuva há mais de um mês, podem ser o rastilho para "incêndios muito graves".

O departamento de Gironda, no sudoeste do país, já tinha sido atingido, há um mês, por um grande incêndio que destruiu mais de 20 mil hectares de floresta e obrigou a que quase 40 mil pessoas deixassem, temporariamente, as suas casas.

"É um desastre a nível económico e ecológico, é horrível", declarou Jean-Louis Dartiailh, autarca de uma pequena cidade da região, à imprensa francesa. "A área está completamente desfigurada. Estamos desolados e exaustos", acrescentou.

À semelhança do que está a acontecer em toda a Europa, França enfrenta por estes dias a terceira onda de calor deste verão e a pior seca alguma vez registada no país.

Na sexta-feira, a primeira-ministra francesa, Elisabeth Borne, realçou que muitas áreas do país estão a passar por "uma situação histórica" e anunciou a criação de um gabinete de crise governamental.

"A seca excecional que estamos atualmente a enfrentar está a privar muitos municípios de água, o que é uma tragédia para os nossos agricultores e para os nossos ecossistemas e biodiversidade", afirmou Borne.

As previsões meteorológicas sugerem que o calor, que aumenta a evaporação e as necessidades de água, deverá continuar ao longo dos próximos 15 dias, podendo tornar a situação ainda mais preocupante, alertou a primeira-ministra.

França, sublinhe-se, tem agora 62 regiões com restrições no uso da água devido à falta de chuva.

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