Varíola dos macacos. Centro europeu recomenda isolamento de casos e admite vacinação de contactos de alto risco

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças afirma que está a preparar uma "avaliação de risco rápida" que deverá ser publicada na próxima semana.

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) recomenda o isolamento e a testagem de todos os casos suspeitos de varíola dos macacos e aconselha que se considere vacinar os contactos de alto risco dos pacientes em que a doença for confirmada. O organismo adianta ainda que está a preparar uma "avaliação de risco rápida" que deverá ser divulgada na próxima semana.

Numa nota publicada, esta quinta-feira, no site oficial do ECDC, é feita uma síntese dos casos de varíola dos macacos já detetados em território europeu e caracterizada a doença, sendo emitidas algumas recomendações as países para lidarem com ela.

"Os cuidados de saúde devem considerar diagnóstico diferencial para os indivíduos que apresentem sintomas clínicos compatíveis com a varíola dos macacos e devem contactar os serviços especializados", começa por aconselhar o ECDC.

"Os casos suspeitos devem ser isolados, testados e notificados prontamente. Deve iniciar-se o rastreio de contactos nos casos positivos. Se as vacinas contra a varíola estiverem disponíveis no país, deve ser considerada a vacinação dos contactos de alto risco, após uma avaliação dos riscos e benefícios", declara a entidade europeia competente.

O ECDC afirma também que nos casos de doença grave, pode ser admitido o "tratamento com um antiviral registado".

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças recomenda ainda os serviços públicos de saúde e as organizações comunitárias a tomarem medidas para sensibilizar a população para o potencial alastramento da varíola dos macacos para os indivíduos do sexo masculino que tiverem relações sexuais com outros indivíduos do mesmo sexo ou que mantenham múltiplos parceiros sexuais.

"Os indivíduos que mantenham múltiplos parceiros sexuais ou tenham atividade sexual casual devem estar particularmente vigilantes", frisa o ECDC.

O organismo garante que está a "monitorizar a situação de perto" e em contacto com os Estados-membros da União Europeia e países que fazem parte do comité europeu de segurança para a saúde.

"Está a ser desenvolvida uma avaliação de risco rápida e deverá ser publicada no início da próxima semana.

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças recorda que o primeiro caso de varíola dos macacos foi reportado pelo Reino Unido, no dia 7 de maio, e que se acredita que se tenha tratado de um caso importado de outro país. Nos dias seguintes, as autoridades do Reino Unido reportaram mais casos, de pessoas sem qualquer histórico recente de viagens ou contacto com o primeiro caso infetado, sendo todas elas indivíduos do sexo masculino com relações sexuais com outros indivíduos do mesmo sexo.

Seguiram-se as infeções detetadas em Portugal - 14 casos confirmados - , e, já esta quinta-feira, o surgimento da doença também em Espanha - com sete casos confirmados. Fora da Europa, também os Estados Unidos já registaram a doença.

A varíola dos macacos, esclarece o ECDC, é "uma doença viral," cuja transmissão nos humanos pode ocorrer "através do contacto com um animal ou um humano infetado ou pelo contacto com material corporal que esteve em contacto com o vírus".

"A transmissão entre humanos ocorre principalmente através de grandes gotículas respiratórias. Como as gotículas não podem viajar muito, é necessário um contacto pessoal prolongado. O vírus também pode entrar no corpo através de fluidos corporais, material da lesão ou contacto indireto com o material da lesão", explica.

Os sintomas incluem "febre, dores de cabeça, dores musculares, dores de costas, inchaço dos gânglios linfáticos, arrepios e cansaço". Podem também acontecer "irritações na pele", que costumam aparecer na cara e depois espalharem-se para outras zonas no corpo.

O período típico de incubação do vírus é "entre seis a 16 dias", mas pode prolongar-se até três semanas. Segundo o ECDC, quando as crostas caem, a pessoa deixa de correr o risco de infetar outros.

A varíola dos macacos já tinha sido identificada em humanos em 2018, 2019 e 2021, tendo, sido reportados sete casos no Reino Unido, nesses três anos, tratando-se de casos com históricos de viagens para países endémicos.

Esta é a primeira vez que estão a ser identificadas cadeias de transmissão na Europa sem que haja ligações epidemiológicas à África Central e Ocidental. O vírus que provoca a varíola dos macacos é classificado como de transmissão moderada entre humanos. A mortalidade é mais alta entre crianças e jovens adultos, estando os indivíduos imunodeprimidos sob particular risco.

O ECDC garante que a probabilidade de transmissão entre pessoas sem contactos próximos é baixa e que a maioria dos infetados recupera da doença num espaço de semanas.

LEIA AQUI TUDO SOBRE A VARÍOLA DOS MACACOS

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