Equipa portuguesa da Polícia Marítima vê aumentar chegada de migrantes em Lesbos

Na ilha, porta de entrada para muitos migrantes há já quase cinco anos, concentram-se muitas pessoas que esperam vir a obter um visto para conseguir asilo na UE. A equipa portuguesa continua empenhada e está preparada para atuar em patrulhas e resgates.

"No fim de semana que passou, chegaram bastantes pessoas à ilha de Lesbos. O tempo ajudava, por isso estavam reunidas as condições para eles virem." Pacheco Antunes, chefe da equipa da Polícia Marítima que está em missão na ilha grega, sentiu um aumento no fluxo de migrantes desde que Erdogan, o Presidente turco, anunciou o fim do controlo de saídas da Turquia.

Entretanto, conta o português à TSF, "a meteorologia piorou bastante e, talvez por isso, não têm chegado à ilha muitos mais migrantes". Nos últimos dias, os militares da Marinha da Grécia têm sido acusados de usar paus para empurrar os botes de borracha, com migrantes a bordo, pelo Mediterrâneo, e há até relatos de agressões e disparos que atingiram as águas. Muitas pessoas foram resgatadas por um navio grego e mais tarde levadas para Lesbos.

Na ilha, porta de entrada para muitos migrantes, sobretudo vindos da Síria ou do Afeganistão, há já quase cinco anos, concentram-se muitas pessoas que esperam vir a obter o tão esperado visto para entrar e conseguir asilo na União Europeia. No entanto, o Governo grego anunciou que fecharia as fronteiras e suspenderia durante um mês a emissão destes documentos.

Pacheco Antunes garante que a equipa portuguesa continua empenhada e que estará preparada para atuar em patrulhas e resgates. De resto, nota o chefe da equipa, já ali estão "há quatro anos" e já enfrentaram "situações bem mais complicadas no passado".

"O nosso trabalho mantém-se ao mesmo ritmo, com as patrulhas normais, sem alteração significativa relativamente ao esforço e à quantidade de pessoas que aqui entram. Estamos preparados para fazer as patrulhas e, assim cheguem embarcações, nós faremos o nosso trabalho." Ainda assim, o estado de vigília foi intensificado entre os 14 elementos da equipa da Polícia Marítima. "A única medida diferente que adotámos foi estar mais alerta e com um sentido de prevenção", vinca Pacheco Antunes.

Sobre o território de incertezas paira ainda uma nova ameaça: o surto do novo coronavírus. Pacheco Antunes assegura terem recebido indicações por parte da Frontex e das autoridades portuguesas para aplicarem medidas de prevenção. "Obviamente temos algum receio e temos medidas preventivas para nos salvaguardarmos nessas situações, porque, perante um surto destes, para além da questão da imigração, temos também de nos preocupar com o [novo] coronavírus", assinala.

"Evitamos sair da zona onde estamos, e, quando estamos em patrulha, temos o equipamento individual, com máscaras e luvas para nos protegermos", acrescenta Pacheco Antunes. Ancara garante que, neste momento, há milhões de pessoas a caminho da União Europeia. A Grécia é o primeiro ponto de entrada.

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