Escassez de energia pode levar a recessão na Europa e aumentar inflação, alerta OCDE

A OCDE calcula que uma escassez de energia mais grave poderia aumentar a inflação em mais de 1,5 pp. e atirar muitos países para uma recessão de um ano inteiro em 2023.

Uma escassez de energia mais grave, especialmente de gás, poderia aumentar a inflação da zona euro em 1,5 pp. e reduzir o crescimento na Europa em mais de 1,2 pp., levando a uma recessão, alerta a OCDE.

Nas previsões económicas intercalares, divulgadas esta segunda-feira, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) alerta para o impacto da Guerra na Ucrânia no mercado da energia e nas pressões inflacionistas, nomeadamente através das sanções impostas à Rússia.

A organização recorda que os preços do gás e eletricidade já estão elevados, mas adverte que podem aumentar ainda mais no caso de haver escassez na Europa, assinalando que tal pode ocorrer se fornecimentos alternativos não se concretizarem na medida do esperado ou se a procura por gás for excecionalmente alta devido a um inverno frio.

A OCDE calcula que, no caso de uma escassez de energia mais grave, especialmente de gás, poderia reduzir o crescimento na Europa em mais 1,2 pontos percentuais (pp.) em 2023 e aumentar a inflação em mais de 1,5 pp..

"Isto empurraria muitos países para uma recessão de um ano inteiro em 2023. O crescimento também seria enfraquecido em 2024", refere.

A OCDE melhorou as perspetivas de crescimento da zona euro deste ano para 3,1%, mas piorou as do próximo ano em 1,3 pp. para 0,3%, estimando ainda uma inflação de 8,1% este ano e de 6,2% no próximo.

A OCDE destaca que os níveis de armazenamento de gás da UE aumentaram consideravelmente ao longo deste ano, e estão agora, em média, entre 80-90% na maioria dos Estados-membros, mas adverte que ainda assim pode não haver armazenamento suficiente para garantir que a procura num inverno típico possa ser cumprida, sem que os níveis de armazenamento no mercado europeu de gás se fixem abaixo dos níveis operacionais efetivos.

"Um inverno frio pode aumentar significativamente os défices, a menos que fornecimentos adicionais de gás possam ser obtidos no curto prazo, o que inevitavelmente exigiria preços substancialmente mais altos", assinala.

A OCDE calcula ainda que um aumento adicional de 20% nos preços globais do petróleo durante um ano poderia levar uma subida adicional de 0,6 pp. na inflação de 2023.

"Um risco relacionado [com as previsões] é que o impacto das sanções ocidentais contra a Rússia relacionadas com as exportações de petróleo, que é incorporado nas projeções de linha de base, também pode ser mais perturbador do que o previsto", assinala a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), no relatório.

A organização prevê que em 2023 a inflação nos países do G20 atinja 6,6%.

"Por exemplo, um aumento adicional de 20% nos preços globais do petróleo durante um ano, com um pico no início de 2023, que posteriormente desaparece, pode adicionar mais 0,6 pp. à inflação do preço global ao consumidor em 2023 e reduzir o crescimento global entre 0,1-0,2 pp.", aponta o relatório.

Outros riscos para as perspetivas são, aponta, a incerteza em torno dos preços dos alimentos -- devido à guerra na Ucrânia, mas também de episódios climáticos extremos, como secas -- e os riscos associados à elevada dívida e ao fraco setor imobiliário na China.

A OCDE manteve as perspetivas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial deste ano em 3%, mas cortou as de 2023 em 0,6 pp. para 2,2%.

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