Estado Islâmico reivindica controlo de Palma

Vila que acolhe grandes projetos de gás no norte de Moçambique foi atacada na quarta-feira.

O movimento terrorista Estado Islâmico (EI) reivindicou esta segunda-feira o controlo da vila de Palma, no extremo norte de Moçambique, que foi atacada por insurgentes na quarta-feira da semana passada.

A agência oficial do movimento, a Amaq, divulgou imagens da vila e reivindicou a ocupação do capital do distrito, junto à fronteira com a Tanzânia.

Não existem relatos sobre a situação na vila há vários dias e a capital provincial de Cabo Delgado, Pemba, tem sido destino de muitos deslocados.

A vila sede de distrito com 42 mil habitantes, que acolhe os grandes projetos de gás do norte de Moçambique foi atacada na quarta-feira por grupos insurgentes 'jihadistas' que há três anos e meio aterrorizam a região.

Dezenas de civis, incluindo sete pessoas que tentavam fugir do principal hotel de Palma, no norte de Moçambique, foram mortos pelo grupo armado que atacou a vila na quarta-feira.

A violência está a provocar uma crise humanitária com quase 700 mil deslocados e mais de duas mil mortes.

Oportunismo e necessidade de mantimentos

Em declarações à TSF, Fernando Jorge Cardoso, investigador do ISCTE, explica que, ao proclamar a conquista da cidade - e depois de toda a repercussão internacional que teve o ataque a Palma - o EI pode estar a ser apenas "oportunista" e a tentar fazer prova de vida.

"Após três a quatro meses em que o EI não faz pronunciamentos sobre o que se passa no nordeste de Cabo Delgado", algo que chegou a originar muita especulação, a organização surge a anunciar que controla Palma.

Mas "Palma não está ocupada, os combates continuam", realça o investigador, que diz que os terroristas estão a tentar mostrar que estão "vivos".

O ataque a Palma aconteceu numa altura em que há relatos de que os rebeldes armados, que atuam na região, estavam com falta de mantimentos, depois de ter sido libertado um conjunto de civis que terão alertado para a falta de comida.

Essa pode ter sido a grande motivação para o assalto à vila. Tinha acabado de chegar a Palma "um navio com provisões, provenientes de Pemba, que estava carregado de comida" e tinha sido fretado pela Total e por comerciantes moçambicanos.

"Há uma situação em que, aparentemente, estes combatentes estão em dificuldade de sobrevivência e então tomam esta decisão de atacar uma vila onde sabem que chegaram mantimentos", explica Fernando Jorge Cardoso.

Vários países têm oferecido apoio militar no terreno a Maputo para combater estes insurgentes, cujas ações já foram reivindicadas pelo autoproclamado Estado Islâmico, mas, até ao momento, ainda não existiu abertura para isso, embora existam relatos e testemunhos que apontam para a existência de empresas de segurança e de mercenários na zona.

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