EUA pressionam Índia a repensar compra de petróleo à Rússia

Norte-americanos e outras nações ocidentais têm procurado reunir apoio, desde a invasão russa da Ucrânia, para cortar a fonte de receita da Rússia.

O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, incentivou segunda-feira a Índia a não aumentar a compra de petróleo à Rússia, embora o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, continue sem se comprometer publicamente com um boicote a Moscovo.

Norte-americanos e outras nações ocidentais têm procurado reunir apoio, desde a invasão russa da Ucrânia, para cortar a fonte de receita da Rússia, através da energia.

A administração liderada por Joe Biden tem também pressionado em particular a Índia para adotar uma posição mais dura contra a Rússia.

Numa reunião por videochamada, Biden transmitiu a Modi que os EUA podem ajudar a Índia a diversificar as suas fontes de energia, segundo revelou a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki.

Embora a Índia compre pouco petróleo à Rússia, intensificou recentemente as relações comerciais com uma grande compra, numa fase em que outras nações têm procurado isolar o Presidente russo, Vladimir Putin.

O Iraque é o principal fornecedor da Índia, com 27% do total das importações, enquanto a Arábia Saudita está em segundo lugar, com cerca de 17%, seguida pelos Emirados Árabes Unidos com 13% e os EUA com 9%, segundo dados divulgados pela agência de notícias Press Trust of India.

"O Presidente [Joe Biden] também deixou claro que não acredita que seja do interesse da Índia acelerar ou aumentar as importações de energia russa ou outros produtos", realçou Psaki.

Embora os dois países tenham encerrado a reunião de alto nível com um compromisso de fortalecerem o seu relacionamento, fontes da Casa Branca não confirmaram se a Índia se tinha comprometido com o pedido de Biden na condenação a Moscovo pela invasão da Ucrânia, referindo que essa escolha cabe ao governo de Modi.

Os dois líderes têm um encontro pessoal marcado para 24 de maio, em Tóquio, durante uma cimeira da aliança 'Quad', que junta ainda a Austrália e o Japão.

A postura neutra da Índia durante o conflito tem causado preocupação em Washington e já foi alvo de elogios em Moscovo, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov.

No arranque da conversa entre os líderes, Biden sublinhou a parceria na área da Defesa entre os dois países, assegurando que se irá manter "o estreito diálogo sobre como gerir os efeitos desestabilizadores da guerra" na área alimentar e de energia.

"A raiz da nossa parceria é uma profunda ligação entre o nosso povo, laços de família, de amizade e de valores partilhados", afirmou Biden.

Narendra Modi classificou hoje a situação na Ucrânia como "muito preocupante" e lembrou que um estudante indiano morreu durante o conflito.

Modi apontou ainda conversas com Putin e Zelensky, onde apelou a ambos à paz, e acrescentou que a Índia condenou as mortes descobertas na cidade ucraniana de Bucha, onde pediu uma investigação independente.

Segundo fonte da Casa Branca, o diálogo entre Biden e Modi foi "caloroso e produtivo". Também esta terça-feira, o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, encontrou-se pessoalmente com o ministro da Defesa indiano, Rajnath Singh, e o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, reuniu-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Índia, Subrahmanyam Jaishankar.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.842 civis, incluindo 148 crianças, e feriu 2.493, entre os quais 233 menores, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra já causou um número indeterminado de baixas militares e a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, das quais 4,5 milhões para os países vizinhos.

Esta é a pior crise de refugiados na Europa desde a II Guerra Mundial (1939-1945) e as Nações Unidas calculam que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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