"Europa tem de assumir responsabilidade." Mediterrâneo é a rota de migração "mais mortífera"

Só esta semana, os Médicos Sem Fronteiras encontraram dez pessoas mortos num barco no Mediterrâneo. A organização apela à ação dos países europeus.

Os Médicos Sem Fronteiras apelam aos Governos europeus que aumentem, com urgência, a capacidade de resgate no Mediterrâneo, que classificam como a "rota de migração mais mortífera". Só desde o início da semana, foram encontrados dez migrantes mortos em barcos sobrelotados.

Candida Lobes, responsável dos Médicos Sem Fronteiras, está a bordo do Geo Barents, o navio da organização que encontrou os migrantes, junto à Líbia. Em declarações à TSF, conta que os migrantes viajavam em condições desumanas.

"Encontrámos os corpos de 10 pessoas. Os sobreviventes disseram à nossa equipa que estas pessoas tinham passado mais de 13 horas no convés inferior do barco, com altos níveis de um combustível intoxicante, e, muito provavelmente, terão morrido por asfixia", relata.

Em menos de 24 horas, o navio dos Médicos Sem Fronteiras teve de fazer três operações de resgate no Mediterrâneo. Ao todo, foi possível salvar 186 pessoas. Entre elas, há 61 menores.

"Temos muitas mulheres com crianças pequenas e muitos menores não acompanhados. As crianças estão bem. A mais nova só tem 10 meses. Quando chegaram ao nosso barco, estavam muito assustadas", conta Candida Lobes.

Os migrantes vêm de países como a Guiné, Nigéria, Costa do Marfim, Somália e Síria. Os Médicos Sem Fronteiras acusam os governos europeus de "falta de vontade" para assumir as responsabilidades que têm no problema. "Mais do que nunca, a Europa tem de disponibilizar uma força dedicada e proativa para buscas e resgates no Mediterrâneo", sublinham

"As pessoas fazem uma viagem incrivelmente perigosa ao atravessar o Mediterrâneo, para fugirem à pobreza extrema, a conflitos e a perseguições. É uma vergonha que sejam deixadas a morrer nas fronteiras da Europa, em 2021", declara Candida Lobes. "O centro do Mediterrâneo tornou-se na rota de migração mais mortífera e tudo isto pode ser prevenido."

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de