Filha de ex-Presidente do Irão detida por incitar protestos

Faezeh Hashemi foi presa no leste de Teerão pelas forças de segurança por incitar manifestantes a protestar na rua.

As autoridades iranianas detiveram terça-feira a filha do ex-Presidente Akbar Hashemi Rafsanjani sob a acusação de incitar cidadãos a protestar, no âmbito das manifestações contra a morte de uma jovem por usar de forma errada o véu islâmico.

"Faezeh Hashemi foi presa no leste de Teerão pelas forças de segurança por incitar manifestantes a protestar na rua", anunciou a agência de notícias Tasnim, sem avançar mais pormenores.

Ex-deputada e ativista dos direitos das mulheres, Faezeh Hashemi foi acusada pela Justiça iranian​​​​​​a, em julho, de fazer propaganda contra a República Islâmica e de cometer blasfémia nas redes sociais.

Os protestos no Irão começaram em 16 de setembro, quando a iraniana Mahsa Amini, de 22 anos, morreu no hospital, três dias depois de ter sido detida pela chamada polícia de costumes por violar as regras do vestuário feminino que indica que as mulheres não podem mostrar o cabelo em público.

Segundo um balanço feito pela agência de notícias iraniana Fars, cerca de 60 pessoas, entre manifestantes e membros das forças de segurança, foram mortas desde o início do movimento de protesto.

O movimento espalhou-se por várias cidades iranianas e alguns manifestantes lançaram 'slogans' antigovernamentais, refere a comunicação social local.

As autoridades acrescentam que, desde o dia 16, foram detidos mais de 1.200 manifestantes, incluindo mulheres.

No final de 2012, Faezeh Hashemi também foi detida e condenada a seis meses de prisão por "propaganda contra a República Islâmica do Irão".

O seu pai, Presidente entre 1989 e 1997, era um político moderado que defendia uma aproximação ao Ocidente.

Os iranianos voltaram a sair às ruas, pela 12.ª noite consecutiva, apesar da forte repressão.

Embora se multipliquem os apelos internacionais para acabar com o uso da força contra os manifestantes, o Governo iraniano tem-se mantido firme perante os protestos, acusando os participantes de serem "desordeiros" e de "minarem a segurança e o património público".

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