Guerra da desinformação. Rússia proíbe palavra "guerra", ocidente com "mais falsificações positivas para
Guerra na Ucrânia

Guerra da desinformação. Rússia proíbe palavra "guerra", ocidente com "mais falsificações positivas para o lado ucraniano"

No conflito armado que opõe a Rússia e a Ucrânia, entre tantas vítimas, há uma a quem conhecemos o nome: a verdade.

O combate entre ucranianos e russos, que dura já há uma semana, inaugurou uma nova frente de batalha: a da desinformação. Quase ao ritmo dos violentos bombardeamentos, as partes em confronto disseminam notícias falsas que alimentam objetivos políticos.

Para procurar minimizar os efeitos destas "bombas", diversos organismos de verificação de factos europeus, aos quais também se associou o jornal português Polígrafo, concentram esforços para detetar e combater a desinformação associada ao conflito.

Os artigos de fact-checking estão a ser publicados, diariamente, no site do Observatório Europeu de Media Digital com atualizações regulares. O Observatório reúne fact-checkers, especialistas em literacia mediática e investigadores académicos com o propósito de analisar e combater a desinformação.

Desde o início do conflito, a rede de verificação de factos do Observatório detetou uma crescente circulação de desinformação relacionada com a crise na Ucrânia, sobretudo através da propagação de imagens de outros conflitos, referentes a períodos históricos distantes.

"O que mais vemos aplicada é a descontextualização de informação real. Imagens ou vídeos de 2014 que são apresentados como sendo de 2022, de outros conflitos e que são apresentados como atuais, ou de simulações digitais. Até videojogos a passar por reais. No fundo, é pegar em algo que foi facto e transformá-lo em mentira. E, neste caso, no ocidente, temos visto muito mais falsificações positivas para o lado ucraniano do que para o lado russo", explicou o investigador do CIES-ISCTE, Miguel Crespo, em declarações à TSF.

O investigador Miguel Crespo identificou alguns passos simples para evitar cair na armadilha da desinformação.

Quais são as técnicas de falsificação mais comuns?

"Quando falamos de desinformação orquestrada por Estados, o mais comum é pegar nos factos e apresentá-los de forma parcial, como dizem os manuais de contrainformação, pelo menos desde a II Guerra Mundial. No caso atual, por exemplo, vemos a Rússia a proibir o uso de palavras como "guerra" ou "invasão", criando um eufemismo sem conotações negativas para apresentar a sua ação como uma "operação militar especial", ou justificando a ação para defender as "repúblicas" que ele próprio criou do ataque Ucraniano, que ninguém viu. Portanto, do lado russo vemos uma ação de libertação, sem violência ou mortos, contra "neonazis", explicou Miguel Crespo.

Como saber se a informação é verdadeira?

Para o investigador, há "algumas ações simples que permitem a qualquer cidadão verificar a informação". "Ver a fonte, incluindo o URL, verificar a data, procurar a mesma informação numa outra fonte, - a ideia de pedir uma segunda opinião, de preferência a um meio de comunicação credível ou de um fact-checker. Confirmar se está bem escrito ou se parece, por exemplo, uma tradução automática. Se é suposto ser jornalismo, ver se tem fontes ou citações. Desconfiar se, logo desde o título, nos tentam vender alguma "verdade". Se for uma imagem e parecer pouco normal, arrastá-la para dentro da caixa de pesquisa do Google Images e ver as imagens semelhantes para perceber de onde vem e quando foi partilhada pela primeira vez. Questionar tudo o que lhe pareça óbvio ou reforce aquilo que já pensa, porque temos tendência a partilhar o que vai de acordo às nossas crenças com menos espírito crítico", apontou.

O que fazer para combater fakenews?

"Primeiro não acreditar em tudo o que nos surge ou é enviado, mesmo pelos "amigos". Depois, não partilhar sem ler o texto e imagens, ouvir os áudios até ao fim ou ver os vídeos até ao fim. O conteúdo pode parecer factual, mas ter falsidades ou manipulações pelo meio. O problema das fake news são as partilhas sem ver, sem reflexão e sem espírito crítico. Se não forem partilhadas pelos cidadãos, elas não existem", concluiu o investigador do CIES-ISCTE, Miguel Crespo.

Pode consultar aqui a lista de artigos que a rede de fact-checking do Observatório está a reunir.

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