Guerra na Europa. União Europeia pretende "gastar mais e melhor" em defesa

Aumento da despesa militar é encarado pela UE como uma questão de "urgência".

Os 27 Estados-membros reúnem-se, a partir desta tarde, em Versalhes, numa cimeira informal de dois dias, num dos períodos mais críticos na Europa, com a guerra na Ucrânia e as ameaças à segurança europeia no centro da agenda.

O encontro servirá também para dar um enquadramento europeu à Ucrânia, sem afastar a ideia de uma eventual adesão. Mas, a perspetiva que tem alimentado discussões informais em Bruxelas não une os 27, e, de acordo com fontes diplomáticas, não se espera uma "linguagem muito aprofundada" no texto das conclusões, em matéria de alargamento à Ucrânia.

Espera-se que os 27 manifestem apoio político e militar à Ucrânia. E se mostrem disponíveis para ajudar em todos os aspetos ligados ao acolhimento dos milhões de pessoas que fogem dos confrontos e procuram refúgio na União Europeia.

Ainda esta quinta-feira, os líderes europeus vão discutir o novo modelo de crescimento e investimento na União, num encontro que contra com as presenças da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, e do presidente do Eurogrupo, Paschal Donohoe.

O debate será também marcado pela agressão à Ucrânia, e as consequências das sanções à Rússia, e pelo consequente efeito bumerangue que pode afetar a retoma na União Europeia.

A análise a formas possíveis de redução da dependência energética da Rússia será um dos enfoques dos chefes de Estado ou de governo.

Em abril, a Comissão Europeia vai apresentar uma proposta para que os Estados-membros se comprometam a acumular reservas de gás, devendo até 1 de outubro ter os depósitos atestados até 90 por cento da capacidade. E, até ao final do ano, a União Europeia pretende reduzir em dois terços as importações de gás da Rússia.

Defesa

Em matéria de defesa, os 27 vão discutir o reforço das capacidades militares da União Europeia para uma "resposta rápida" a eventuais crises, além do "reforço" de meios para os serviços de investigação, capazes de "antecipar ameaças" no raio de ação da União Europeia.

O aumento dos gastos militares é, por isso, um assunto na agenda da cimeira, numa altura em que a Guerra voltou às fronteiras da Europa. O debate já dura há vários anos, mas, no atual contexto, é encarado pela própria União como uma questão de "urgência".

Os governos europeus, membros da NATO, comprometeram-se a aumentar os gastos em defesa para alcançar os 2% do PIB, em 2024, no âmbito da partilha de encargos com a Aliança Atlântica.

O texto que vai ser discutido, que é já a terceira versão da "Bússola Estratégica de Segurança e Defesa", aponta para "os compromissos já assumidos", com a NATO, para responder aos "desafios estratégicos", que a União Europeia "enfrenta", sustentando a "urgência" de o bloco europeu "gastar mais e melhor" em defesa.

"Aumentaremos, portanto, substancialmente os nossos gastos", no âmbito militar, "assegurando uma abordagem europeia coordenada e colaborativa para as despesas reforçadas a nível dos Estados-Membros e da União Europeia", refere o texto.

A perspetiva comunitária no campo militar dará à União a capacidade para "maximizar a produção, aumentar a interoperabilidade e tirar o máximo partido das economias de escala".

Ao longo dos próximos oito anos, a União Europeia "definirá orientações estratégicas sobre os recursos necessários para atender às necessidades de segurança".

Os 27 esperam "adaptar rapidamente" os meios militares, articulando com competências e meios civis "para que sejam capazes de agir rapidamente, contribuir para garantir os nossos interesses e valores, reforçar a nossa resiliência e proteger a União e os seus cidadãos".

O objetivo deverá ser alcançado com "mais forças de espetro total" que sejam "ágeis e móveis, interoperáveis, tecnologicamente avançadas, eficientes em termos de energia e resilientes".

Note-se que o texto vinca ainda que "estas forças [militares] permanecem nas mãos dos Estados-membros e podem também ser mobilizadas noutros quadros".

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