"É uma fé sincera." Igreja dos EUA defende droga como "parte da religião" e justiça pode dar-lhe razão

Processo começou com uma rusga, a 13 de agosto de 2020, depois de a polícia ter recebido uma queixa anónima.

Uma igreja em Oakland, na Califórnia, EUA, distribui erva e cogumelos como sacramento. Depois de uma rusga policial em 2020, em que foram apreendidos dinheiro e droga, a Zide Door Church of Entheogenic Plants apresentou uma ação judicial contra a cidade e o seu departamento de polícia por terem violado o direito ao "exercício de religião". Um especialista em direito norte-americano, ouvido pelo The Washington Post, acredita que a igreja pode ganhar o caso em tribunal.

O processo começou com a rusga, a 13 de agosto de 2020, depois de a polícia ter recebido, em maio de 2019, uma queixa anónima de que a igreja promovia a distribuição e consumo de drogas.

A igreja garante que não publicita as suas práticas religiosas. Os membros pagam uma taxa mensal de 5 dólares (4,91 euros) e fazem donativos para obterem cannabis e cogumelos que são cultivados pela organização religiosa.

Estes pormenores foram descobertos depois de o agente John Romero ter feito o pedido de adesão à igreja através de um nome e carta de condução falsos. Com o pedido aceite, assinou um acordo de adesão e comprou 3,5 gramas de cannabis, que a igreja diz que devem ser consumidos no local e não para uso pessoal ou individual.

Já dentro da comunidade religiosa, Romero revistou a igreja, danificou cinco cofres, apreendeu documentos e 200 mil dólares (196 502 euros) em cannabis e cogumelos, um computador e dinheiro. Ao todo foram mais de 4500 dólares (4421 euros), de acordo com a queixa, citada pelo The Washington Post.

"É uma fé sincera"

A Zide Door Church of Entheogenic Plants, que prega contra o uso não religioso de álcool e drogas, estabeleceu-se em Oakland, em janeiro de 2019. O fundador, Dave Hodges, afirmou que antes da pandemia de Covid-19 conduzia sermões todas as semanas e distribuía 'charros' aos membros da igreja antes do início da cerimónia.

No entanto, há regras. Segundo Hodges, a droga é para ser consumida no local e os membros não podem conduzir durante pelo menos oito horas após o consumo.

"Isto não é apenas uma desculpa para vender drogas. É uma fé sincera. Não há dúvida, na minha mente, de que os cogumelos foram a primeira forma de os nossos antepassados compreenderem que havia mais nesta existência. Atacaram-nos como se fossemos algum tipo de família criminosa que estavam a derrubar ou uma casa de venda de metanfetaminas. Gostaríamos que a polícia de Oakland nos deixasse em paz e que a cidade nos considerasse legítimos", explicou Dave Hodges ao Los Angeles Times.

Na ação judicial com que avançaram argumentam que a rusga policial violou o direito ao "exercício de religião", atropelando a lei federal e a Primeira Emenda, que dá direito ao exercício religioso livre. Jesse Choper, especialista em direito da University of California Berkeley School of Law, afirmou ao The Washington Post que o argumento da igreja pode funcionar.

"Não é um negócio fictício. Diria que os fumadores têm boas probabilidades", acrescentou Jesse Choper.

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