Incêndios florestais na Europa libertam quantidades recorde de carbono na atmosfera

Em agosto de 2022, os valores mais elevados de energia radioativa do fogo tiveram origem não só no incêndio da Serra da Estrela, mas também no fogo perto de Bordéus, em França.

Os incêndios florestais que estão a assolar a Europa, nomeadamente França, Espanha e Portugal, estão a libertar quantidades recorde de carbono na atmosfera, ameaçando os ecossistemas. Segundo dados do sistema de satélites Copernicus, França registou entre julho e agosto as maiores emissões de carbono desde 2003.

"Os dados mais recentes do Copernicus Atmosphere Monitoring Service (CAMS) mostram a França registando as maiores emissões de carbono de junho a agosto desde 2003 no conjunto de dados Global Fire Assimilation System", pode ler-se numa nota publicada no site do sistema Copernicus..

"Desde o início de junho de 2022, a energia radiativa do fogo mostra valores significativamente mais altos para França, Espanha e Portugal durante as ondas de calor em julho e agosto", sublinha.

Em Portugal, apesar de as emissões de carbono terem sido relativamente "mais baixas" quando comparado com anos anteriores, o sistema Copernicus afirma que "é o país com a maior área queimada", tendo em conta a superfície total, com mais de 61 mil hectares queimados.

Os dados do Copernicus revelam ainda que os valores mais elevados de energia radiativa do fogo, em agosto de 2022, tiveram origem tanto no incêndio da Serra da Estrela, como no fogo perto de Bordéus, em França.

A meados de julho, durante a onda de calor na Europa, Espanha também registou as maiores emissões de carbono relacionadas com os incêndios florestais.

"Para a União Europeia e o Reino Unido, a potência radiativa do fogo foi excecionalmente alta durante as ondas de calor de junho e julho. Globalmente, o verão de 2022 é o quarto em termos de emissões de carbono estimadas até 11 de agosto", adianta o Copernicus.

Em comunicado, Mark Parrington, do Copernicus, afirma que os satélites têm vindo a "monitorizar um aumento do número e das emissões resultantes de incêndios, uma vez que as condições de onda de calor exacerbaram os incêndios no sudoeste da França e na Península Ibérica".

"As classificações de perigo de incêndio muito extremas que têm sido previstas para grandes áreas do sul da Europa significam que a escala e intensidade de qualquer incêndio pode ser grandemente aumentada, e é isto que temos vindo a observar nas nossas estimativas de emissões e os impactos que tem na qualidade do ar local", sublinha o cientista.

"O aquecimento global facilita o início e a propagação desses incêndios", disse Jean-Pascal van Ypersele, ex-vice-presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), em declarações citadas pela rede de televisão francesa France24.

Os incêndios vão tornar-se mais frequentes, referiu van Ypersele, e, por isso, "temos que nos preparar e tentar tomar todas as medidas para reduzir o risco, gerindo as florestas e a água de uma forma diferente, para que as consequências para os seres humanos e os ecossistemas não sejam muito grandes". "O aquecimento global continuará a piorar, se não conseguirmos reduzir as emissões de CO2", alertou.

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