Intérprete ucraniano foi sequestrado e agredido por militares russos

De acordo com os Repórteres Sem Fronteiras, o intérprete foi sequestrado pelas forças russas no dia 05 de março.

Um intérprete ucraniano de 32 anos foi agredido com uma barra de ferro e torturado por militares russos, depois de ter sido sequestrado em 05 de março, revelou esta segunda-feira a organização não-governamental (ONG) Repórteres Sem Fronteiras (RSF).

De acordo com a RSF, Nikita (o nome foi modificado por razões de segurança) esteve detido por nove dias.

"Ele foi espancado com uma barra de ferro, torturado com eletricidade e submetido uma morte simulada", escreveu a ONG.

Uma semana depois do sequestro, a RSF verificou a veracidade do sequestro, dizendo que Nikita foi preso numa cave gelada e "repetidamente torturado".

O homem foi detido sozinho antes de se juntar a outros três prisioneiros, incluindo um ex-funcionário público ucraniano.

O relato de Nikita é assustador, segundo a ONG, que planeia passar o seu depoimento ao procurador-chefe do Tribunal Penal Internacional, em Haia (Países Baixos), na sequência das duas queixas já apresentadas, em 04 e 16 março.

"Nikita deu-nos um testemunho arrepiante que confirma a intensidade dos crimes de guerra cometidos pelo Exército russo contra jornalistas. Passar o seu testemunho ao procurador do TPI é o mínimo que podemos fazer por este jovem e corajoso 'fixer' [espécie de intermediário]", disse o secretário-geral da RSF, Christophe Deloire.

A ONG começou a procurar o intérprete ucraniano após ter sido informada pela Radio France em 08 de março e, depois de ter sido libertado, estabeleceu contacto com a vítima através do Centro para a Liberdade de Imprensa, inaugurado em Lviv, durante a invasão russa.

As várias partes do seu depoimento foram corroboradas por entrevistas a um familiar, a um dos antigos companheiros de cativeiro e a dois jornalistas da Radio France.

"Embora traumatizado pela situação, Nikita está determinado a continuar a trabalhar como 'fixer' para ajudar a executar o direito à notícia e à informação. É a sua forma de contribuir para a liberdade do seu país, porque diz que não é bom a empunhar uma arma", sustentou a RSF.

Um dos seus companheiros que também foi detido está hospitalizado com ferimentos graves. O destino do antigo funcionário público é desconhecido.

O outro prisioneiro, aquele que a RSF contactou, disse ter escapado sem muitos ferimentos ou outras consequências. Quando questionado por que foram libertados em vez de mortos, respondeu: "Penso que não tiveram coragem de cavar buracos".

Oleg Baturin, um jornalista ucraniano que foi libertado em 20 de março depois de ter sido detido por oito dias pelo Exército russo e tratado de maneira semelhante à de Nikita, disse: "Eles queriam-me destruir, passar por cima de mim, para mostrar o que vai acontecer com todos os jornalistas, que serão mortos".

A RSF lembrou que Nikita tem trabalhado, desde 2013, como 'fixer' e intérprete para a imprensa estrangeira, passando pelos canais franceses France 2, BFM TV e RFI.

Desde fevereiro, tem trabalhado em tempo integral como 'fixer' na Radio France, depois da empresa de informática que o empregava ter começado a evidenciar problemas por causa da guerra.

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