Kiev denuncia "aumento drástico" da violência sexual como arma de guerra

O procurador-geral da Ucrânia acusa os militares russos de usarem deliberadamente a violência sexual como arma de guerra "para humilharem os ucranianos".

O procurador-geral da Ucrânia, Andrei Kostin, denunciou um "aumento drástico" no uso de violência sexual como arma de guerra no país por soldados russos.

Segundo a agência alemã DPA, Kostin acusou os militares russos de usarem deliberadamente a violência sexual como arma de guerra "para humilharem os ucranianos".

"Em muitos casos, as pessoas são violadas, torturadas e depois mortas por soldados russos. Muitas vezes, as violações acontecem em frente de familiares e crianças", explicou o procurador-geral, que detalhou que "todos os géneros e faixas etárias são afetados".

Kostin acrescentou que os comandantes russos costumam ordenar ou apoiar as violações.

Wenzel Michalski, diretor da Human Rights Watch para a Alemanha, confirmou que esta tem sido uma abordagem sistemática no contexto da violência que ocorreu desde o início da invasão da Ucrânia.

"Atos violentos cometidos por soldados, incluindo violações, não são punidos pelas lideranças militares e políticas russas. Pelo contrário, as forças que agem com particular brutalidade continuam a ser homenageadas", explicou Michalski.

Na sexta-feira, a comissão de inquérito da ONU que investiga a guerra na Ucrânia disse que a falta de resposta da Rússia para ter acesso aos territórios ocupados pelas forças armadas russas dificulta o seu trabalho.

Uma dificuldade encontrada está em falar com vítimas de violência sexual, "uma vez que ainda há muito estigma ligado a ela e muitos não estão dispostos a falar publicamente sobre o que sofreram", acrescentou a bósnia Jasminka Dzumhur.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas - mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,8 milhões para os países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa - justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 6.655 civis mortos e 10.368 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

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