Maior nenúfar do mundo foi descoberto há 175 anos, mas só agora foi identificado. Veja as imagens

As folhas do maior nenúfar do mundo ultrapassam os três metros de diâmetro e aguentam com o peso de uma criança pequena. Veja as imagens.

Uma nova espécie de nenúfar gigante (Victoria boliviana) é a mais recente novidade na área da botânica revelada esta segunda-feira na revista científica Frontiers in Plant Biology. A espécie, que estava guardada há 175 anos no herbário do Jardim Botânico Real de Kew, no Reino Unido, tinha sido confundida com a espécie Victoria amazonica já identificada anteriormente.

Depois de ter observado os nenúfares durante a noite (quando as flores abrem), a artista botânica Lucy Smith comparou os seus desenhos com as ilustrações que o botânico Walter Hood Fitch tinha feito em 1847: concluiu que se tratava da mesma espécie que Fitch, sem saber, já tinha descoberto.

Com folhas que ultrapassam os três metros de diâmetro, esta espécie detém agora o recorde de maior nenúfar do mundo. Trata-se de uma estrutura tão resistente que aguenta o peso de uma criança pequena.

Alguns cientistas daquele jardim de Londres já suspeitavam que pudesse haver uma terceira espécie de nenúfar gigante e, por isso, trabalharam em conjunto com outros investigadores na Bolívia (de onde a espécie é nativa) para comprovar a tese, que se confirmou agora.

Um dos primeiros botânicos a suspeitar que se podia estar perante uma nova espécie foi Carlos Magdalena. Em comunicado no site da Royal Botanic Gardens Kew, o cientista conta que "desde que viu pela primeira vez uma fotografia desta planta, em 2006, ficou convencido de que se tratava de uma espécie nova".

Na mesma nota, Carlos Magdalena acrescentou que "ficou claro que esta planta não se encaixava na descrição de nenhuma das espécies conhecidas de Victoria e, portanto, tinha de ser uma terceira."

"Por quase duas décadas, tenho examinado todas as fotos de nenúfares selvagens de Victoria pela internet, um luxo que um botânico dos séculos XVIII, XIX e a maior parte do século XX não tinha", sublinhou.

A descoberta só foi possível porque, em 2016, as instituições bolivianas Santa Cruz de la Sierra Botanic Garden e La Rinconada Gardens doaram uma coleção de sementes de nenúfares gigantes da agora confirmada terceira espécie.

Em declarações à BBC, o botânico explicou que, com essa doação, foi possível "fazer com que crescesse lado a lado com as outras espécies, exatamente nas mesmas condições", apercebendo-se que a disposição e a forma das sementes eram diferentes. Carlos Magdalena considera que "foi o momento alto" da carreira, por ser uma espécie nunca antes descrita pela ciência.

A nova espécie produz várias flores por ano, no entanto, só abre uma de cada vez, durante apenas duas noites. O lírio tem flores que mudam de branco para rosa e apresenta um caule espinhoso.

Aquele jardim de Kew é o único no mundo onde se podem ver as três espécies de Victoria lado a lado.

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