Ministro da Defesa ucraniano insta UE a considerar Putin "criminoso de guerra"

Para o governante ucraniano, o Kremlin é agora o "novo Hitler" devido à "desumanidade com que está a travar esta guerra".

O ministro da Defesa ucraniano, Oleksii Reznikov, instou, esta quinta-feira, a União Europeia (UE) a classificar o Presidente russo, Vladimir Putin, como um "criminoso de guerra", como fez pela primeira vez, na quarta-feira, o Presidente norte-americano, Joe Biden.

"Exorto-vos a reconhecer que Putin é um criminoso de guerra, tal como os Estados Unidos o fizeram", declarou Oleksii Reznikov, intervindo por videoconferência numa audição conjunta da comissão dos Assuntos Externos e da subcomissão da Segurança e Defesa do Parlamento Europeu, em Bruxelas.

Na ocasião, o responsável ucraniano disse aos parlamentares que "o objetivo da Rússia é a destruição da Ucrânia", na sequência do aceso confronto armado devido à invasão russa, iniciada há três semanas.

"Eles querem acabar com o direito humanitário e o direito internacional", condenou Oleksii Reznikov.

Para o ministro da Defesa ucraniano, o Kremlin (regime russo) é agora o "novo Hitler" devido à "desumanidade com que está a travar esta guerra", razão pela qual designou a Rússia como um "Estado de terrorismo" por "aniquilarem conscientemente a população civil, bombardeando premeditadamente cidades".

"O Kremlin não vai parar num só país. A sua ideia é arruinar a UE e destruir a unidade da NATO", adiantou Oleksii Reznikov.

A posição surge um dia depois de o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ter acusado o seu homólogo da Rússia, Vladimir Putin, de ser um "criminoso de guerra", utilizando esta expressão pela primeira vez desde o início da invasão russa da Ucrânia.

"É um criminoso de guerra", atirou, sem mais detalhes, quando respondia a um jornalista à saída de um evento dedicado à luta contra a violência doméstica, que decorreu na Casa Branca.

A porta-voz da Presidência norte-americana, Jen Psaki, esclareceu pouco depois que Biden tinha falado "com o coração" depois de ter visto imagens das "ações bárbaras de um ditador brutal".

Até agora, nenhum governante norte-americano tinha utilizado publicamente os termos "criminoso de guerra" ou "crimes de guerra", ao contrário de outros estados ou organizações internacionais.

O chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, por exemplo, descreveu na semana passada como um "crime de guerra hediondo" o bombardeamento russo de uma maternidade e hospital pediátrico perto de Mariupol, que causou três mortos, incluindo uma criança, e 17 feridos.

O Kremlin (presidência russa) reagiu de imediato a estas declarações de Joe Biden, considerando-as "inaceitáveis e imperdoáveis".

A Rússia lançou a 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já causou pelo menos 726 mortos e mais de 1.170 feridos, incluindo algumas dezenas de crianças, e provocou a fuga de cerca de 4,8 milhões de pessoas, entre as quais três milhões para os países vizinhos, segundo os mais recentes dados da ONU.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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