Pelo menos seis mortos e 11 feridos em explosões em escolas xiitas de Cabul

O porta-voz da polícia de Cabul refere que as explosões foram provocadas por dois engenhos de fabrico artesanal.

Pelo menos seis pessoas morreram esta terça-feira e onze ficaram feridas em duas explosões que atingiram uma escola para rapazes num bairro da capital do Afeganistão habitado por famílias da minoria xiita hazara, disse a polícia afegã.

"As explosões na escola Abdul Rahim Shahid mataram seis pessoas e provocaram ferimentos em outras onze", disse à agência France-Presse o porta-voz da polícia de Cabul, Khalid Zadran referindo-se a um "balanço provisório".

Antes, uma fonte policial disse à agência espanhola Efe que 16 feridos tinham sido transportados para o hospital pelas forças de segurança.

Uma outra fonte da polícia indicou que sete dos onze feridos são crianças.

De acordo com Khalid Zadran, as explosões foram provocadas por dois engenhos de fabrico artesanal colocados na escola Abdul Rahim Shahid no bairro Dasht-e-Barchi.

Uma terceira explosão atingiu num centro de formação de língua inglesa também no mesmo bairro, mas o porta-voz da polícia não especificou a origem da deflagração.

No bairro de Dasht-e-Barchi vivem membros da minoria haraza, marginalizada e perseguida no país de maioria sunita.

O bairro xiita azara já foi alvo, no passado, de vários ataques do grupo radical Estado Islâmico, que considera esta minoria herética.

As explosões de hoje ocorreram no momento em que os alunos (rapazes) abandonavam as salas de aula, a meio da manhã, de acordo com uma testemunha que pediu anonimato.

As forças do regime taliban estão neste momento a impedir os jornalistas de se aproximarem da zona atingida pelas explosões em Cabul.

Entretanto, nas redes sociais foram difundidas imagens captadas pelos sobreviventes e que mostram corpos junto à entrada dos recintos, manchas de sangue e livros e pastas queimados.

Após a tomada de Cabul pelas forças taliban a 15 de agosto do ano passado a segurança no país melhorou relativamente aos 20 anos de guerra marcados pela presença das forças internacionais comandadas pelos Estados Unidos.

Mesmo assim, os últimos ataques reivindicados pelo grupo Estado Islâmico-Khorosan (EI-K) têm atingido sobretudo zonas da capital do Afeganistão.

Em maio de 2021, pouco antes da retirada das forças internacionais, uma série de explosões atingiu escolas de raparigas no mesmo bairro provocando 85 mortos, na maior parte estudantes e 300 feridos.

Em outubro de 2020 o grupo extremista Estado Islâmico reivindicou outro atentado contra um estabelecimento de ensino no bairro hazara provocando a morte a 24 civis.

No mesmo bairro, em maio de 2020 um grupo de homens armados atacou uma maternidade da organização Médicos Sem Fronteiras.

Neste ataque morreram 25 pessoas, entre as quais 16 mulheres que se encontravam na maternidade, a maior parte grávidas.

O ataque contra a maternidade não foi reivindicado, mas os Estados Unidos acusaram o Estado Islâmico.

Os maiores atentados dos 'jihadistas' do EI contra o bairro Dasht-e-Barchi ocorreram em novembro e dezembro do ano passado, após a tomada do poder pelas forças taliban.

Os taliban também atacaram com frequência xiitas afegãos, membros da comunidade hazara, que representa entre 10 e 20% da população do Afeganistão (cerca de 40 milhões de habitantes).

* Notícia atualizada às 11h28

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