"Ninguém quer a loucura de uma terceira guerra mundial e nuclear." Eurodeputados olham para conflito na Ucrânia

Sanções, ameaça a outros países e consequências económicas do conflito estão entre preocupações dos eurodeputados portugueses, perante a invasão russa na Ucrânia.

Os eurodeputados portugueses do PS, PSD, Bloco de Esquerda e CDS destacam a importância da unidade dos países da União Europeia e da restante comunidade internacional na aplicação de sanções à Rússia. Já o PCP assume-se contra sanções que prejudicam o povo russo e têm reflexões nos preços em Portugal.

O eurodeputado comunista João Pimenta Lopes defendeu, no Fórum TSF, que as "sanções unilaterais" têm, sobretudo, efeitos "sobre os povos e não sobre aqueles que se pretende atingir".

"Os efeitos destas sanções poderão comportar dimensão muito negativa para os povos da Europa, também para Portugal, desde logo no aumento dos preços da energia e de outros produtos", lembra o eurodeputado do PCP.

Pedro Silva Pereira, eurodeputado do PS e vice-presidente do Parlamento Europeu, e Paulo Rangel, eurodeputado do PSD, afirmam que Vladimir Putin não esperava a resposta coesa que a União Europeia e a NATO têm apresentado perante a invasão à Ucrânia.

Pedro Silva Pereira espera que a reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros europeus e da NATO, esta sexta-feira, seja uma forte manifestação desta unidade na resposta à "agressão brutal" por parte da Rússia.

O eurodeputado socialista indicou, no Fórum TSF, que "a intenção de Putin de dividir a Europa não está a resultar" e que foram aplicadas sanções "sem precedentes" que produzirão efeito de desgaste na economia russa e na opinião do povo russo em relação a esta agressão.

Pedro Silva Pereira espera um contínuo alargamento das sanções, estendido a mais oligarcas e instituições financeiras, porque "o Ocidente leva a sério as ameaças e ambições de Putin". Mas, sublinha o socialista, também Putin tem de levar a sério o compromisso da NATO, que recorrerá "a todos os meios para defender o seu território", sendo que "o ataque a um membro da NATO será considerado um ataque a todos".

O eurodeputado frisa, apesar de tudo, que "ninguém quer a loucura de uma terceira guerra mundial, que seria agora uma guerra nuclear".

Paulo Rangel considera que as sanções são "a principal arma" de que a comunidade internacional dispõe neste momento. O social-democrata afirma que as sanções aplicadas até agora foram "muito duras", especialmente as que incidem sobre o Banco Central da Rússia, e terão um "efeito devastador sobre a economia russa".

O eurodeputado defendeu, no Fórum TSF, que o Ocidente tem de manter a "atitude firme", porque Putin não pretende ficar-se por aqui, e menciona alegados planos do Presidente russo para uma ameaça à Moldávia.

Na visão de Paulo Rangel, "não há limites" na atuação de Putin e do exército russo, pelo que a situação atual é de "grave risco" - embora o eurodeputado acredite ainda que será possível travar a escalada para uma guerra maior. Nesse sentido, a reunião desta sexta-feira que junta os ministros dos negócios estrangeiros europeus, será, na ótica do eurodeputado, uma oportunidade importante para dar o sinal de que a comunidade internacional "não hesitará se certas linhas forem ultrapassadas".

Ainda assim, Rangel teme que Putin reforce violência contra civis, pelo que a grande prioridade da comunidade internacional, nesta altura, tem de ser mitigar os danos na Ucrânia.

Pelo Bloco de Esquerda, José Gusmão nota que é importante continuar a "atacar os interesses da oligarquia que alimenta o regime russo", que considera que é um "instrumento ao serviço dos circuitos internacionais de lavagem de dinheiro".

O eurodeputado defendeu ainda, no Fórum TSF, que o envio de material militar para a Ucrânia, para armar a população civil, não equilibra o país num confronto contra uma potência militar como a Rússia - e que acreditar em tal será uma "ilusão com consequências trágicas", nomeadamente a destruição do país e a perda de vidas humanas.

Como tal, o Bloco de Esquerda pede que a União Europeia reúna esforços para conseguir uma "solução diplomática pacífica e duradoura", assegurando também que os territórios das fronteiras estão apoiados e protegidos.

Nuno Melo, eurodeputado do CDS, afirmou, no Fórum TSF, que Vladimir Putin chama a si uma "dimensão quase czarista", típica de um tempo "que era suposto já lá ir". Para o centrista, o Presidente da Rússia está "numa deriva", pelo que a NATO "tem de estar em estado de prontidão".

O eurodeputado considera que reuniões como a de hoje permitem a articulação necessária entre países, uma vez que todos temem "o alargamento do conflito, com a entrada da NATO e, no limite, uma escalada nuclear".

Quanto ao independente Francisco Guerreiro, antigo eurodeputado do PAN, disse, no Fórum TSF, esperar um bloqueio económico ainda maior à Rússia.

"Uma série de empresas estão, claramente, a tomar uma posição política e isso é muito relevante. Tal como muitos eventos desportivos e várias federações estão a tomar uma posição. Esse isolamento é fundamental para dar apoio ao povo russo que se está a manifestar e que não quer esta guerra", sustenta o eurodeputado. "Fazer esta separação entre o regime dos oligarcas de Putin e o povo russo é fundamental."

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