Putin diz que a Ucrânia é uma "criação" de Lenin e um "regime de fantoche" dos EUA

Presidente russo defende que a Ucrânia é uma colónia "uma colónia norte-americana com um regime fantoche".

Numa longa declaração ao país, com mais de uma hora, o presidente russo, Vladimir Putin, reconheceu as regiões separatistas ucranianas como independentes. No discurso, o líder russo começou por passar em revista a história da Ucrânia, dizendo que o país da Europa de Leste foi "criado" pelo fundador da União Soviética, Vladimir Lenin.

Nesta declaração ao país, Putin defende que a Ucrânia atual está a ser gerida pela embaixada dos EUA, descrevendo o país como "uma colónia norte-americana com um regime fantoche". O presidente russo acusa ainda os serviços de inteligência do Ocidente "de ajudarem Kiev a cometer crimes".

Putin explica ainda que a Ucrânia tem "capacidade soviética" de criar armas nucleares, sendo isso um sinal de perigo para Moscovo, acusando os EUA e a NATO de tornarem o território ucraniano num "teatro de guerra".

O líder russo revelou ainda um segredo guardado há 22 anos. "No ano 2000, quando o Presidente Bill Clinton visitou Moscovo, perguntei-lhe como é que os EUA viam a possibilidade de a Rússia entrar na NATO".

Após o longo discurso televisivo, Vladimir Putin assinou o decreto com o reconhecimento e os tratados de amizade e assistência mútua com os líderes de Donetsk, Denis Pushilin, e Lugansk, Leonid Pásechnik.

Segundo Putin, a decisão foi tomada depois de receber hoje um pedido [de reconhecimento] por parte de ambos os líderes separatistas pró-Rússia e depois da Duma [câmara baixa do parlamento russo] ter enviado uma resolução com um pedido de reconhecimento da independência de Donetsk e Lugansk.

O chefe de Estado russo referiu ainda que a situação no Donbass ucraniano, onde decorre um conflito há oito anos que já provocou mais de 14 mil mortes, é "critica e séria".

"Enfatizo mais uma vez que a Ucrânia para nós não é apenas um país vizinho. É parte integrante da nossa própria história, cultura, espaço espiritual. São nossos camaradas, parentes, entre os quais não somos apenas colegas, amigos, ex-colegas, mas também parentes, pessoas ligadas a nós por laços de sangue, parentes", insistiu Putin.

Ainda durante discurso televisivo, que durou 65 minutos, o Presidente russo pediu à Ucrânia para cessar imediatamente as "suas operações militares" contra os separatistas pró-Rússia.

"Quanto àqueles que tomaram o poder em Kiev e o mantêm, exigimos deles a cessação imediata das operações militares, caso contrário, toda a responsabilidade pelo contínuo derramamento de sangue recairá inteiramente sobre a consciência do regime em território ucraniano", referiu.

O líder russo assegurou também que tomará medidas para garantir a segurança da Rússia perante a recusa dos Estados Unidos e da NATO em abordar as suas preocupações de segurança e renunciar à Ucrânia o direito de fazer parte da Aliança Atlântica no futuro.

"Basta olhar para o mapa para ver como os países ocidentais cumpriram a sua promessa de não permitir que a NATO se expandisse para o leste", vincou.

"Simplesmente fomos enganados. Uma após a outra, houve cinco ondas de ampliação da NATO", acrescentou.

Segundo Putin, como consequência a Aliança Atlântica e a sua infraestrutura militar "aproximaram-se das fronteiras russas".

"Se a Ucrânia entrar na NATO, as ameaças militares à Rússia aumentarão várias vezes. E o perigo de um ataque surpresa contra o nosso país aumentará várias vezes", sustentou ainda.

A posição de Moscovo sobre estas repúblicas provoca um curto-circuito no processo de paz resultante dos acordos de Minsk de 2015, assinados pela Rússia e pela Ucrânia, sob mediação franco-alemã, já que estes visavam, precisamente, um regresso dos territórios à soberania ucraniana.

A decisão de Putin também abre caminho a um pedido de assistência militar à Rússia por parte desses territórios, conduzindo a uma justificação para a entrada de forças russas nessas regiões, dando razão aos países ocidentais que acusam Moscovo de estar a preparar uma invasão da Ucrânia, junto a cujas fronteiras já posicionaram mais de 150.000 soldados.

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