Rascunho de resolução da Cimeira do Clima propõe revisão de metas em 2022

No esboço, os países signatários são convidados a "revisitar e fortalecer as suas metas para 2030 nas suas contribuições nacionalmente determinadas, de forma a torná-las compatíveis com as metas do Acordo de Paris até ao final de 2022".

Um dos projetos de resolução da conferência sobre o clima COP26 publicado esta manhã urge os países a rever os compromissos de redução das emissões de gases com efeito de estufa no próximo ano, três anos antes da data prevista no acordo de Paris.

O texto, publicado pela presidência britânica após 10 dias de negociações técnicas e políticas de alto nível na 26.ª conferência do clima das Nações Unidas (COP26), a decorrer em Glasgow, urge os países signatários a "revisitar e fortalecer as suas metas para 2030 nas suas contribuições nacionalmente determinadas, de forma a torná-las compatíveis com as metas do Acordo de Paris até ao final de 2022".

Estas contribuições [National Determined Contributions, NDC] são aquelas que cada país se propõe para baixar as emissões de gases com efeito de estufa e manter o aumento da temperatura abaixo dos 2º C no âmbito do Acordo de Paris.

Refere também que os estudos científicos preveem um aumento das emissões de gases com efeito de estufa em 13,7% acima dos níveis de 2010 até 2030, quando precisavam de descer 45% para atingir a meta de 1,5 grau graus Celsius. No texto é proposta uma reunião ministerial anual a partir de 2022.

O rascunho terá ainda de ser discutido antes de ser aprovado, devendo enfrentar oposição de países, nas consultas em curso.

Por exemplo, o texto apela aos países para "acelerarem o fim faseado do carvão e subsídios a combustíveis fósseis", uma questão que não reúne consenso entre países como a China ou Rússia.

No capítulo sobre o financiamento para a adaptação dos países mais vulneráveis às adaptações climáticas, "nota com grande preocupação" que as atuais promessas são insuficientes, e pede aos países desenvolvidos que "aumentem urgentemente a sua provisão de financiamento climático".

Decisores políticos e milhares de especialistas e ativistas reúnem-se até sexta-feira na COP26 para atualizar os contributos dos países para a redução das emissões de gases com efeito de estufa até 2030 e aumentar o financiamento para ajudar países afetados a enfrentar a crise climática.

A COP26 decorre seis anos após o Acordo de Paris, que estabeleceu como meta limitar o aumento da temperatura média global do planeta entre 1,5 e 2 graus Celsius acima dos valores da época pré-industrial.

Apesar dos compromissos assumidos, as concentrações de gases com efeito de estufa atingiram níveis recorde em 2020, mesmo com a desaceleração económica provocada pela pandemia de Covid-19, segundo a ONU, que estima que ao atual ritmo de emissões, as temperaturas serão no final do século superiores em 2,7 ºC.

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