"Reino Unido precisa de debater futuro da monarquia." Republicanos prometem protestos na coroação de Carlos III

"Carlos pode ter herdado a Coroa, mas não herdou o respeito e a deferência dedicados à sua mãe", sublinha a Republic, que diz esperar que o movimento pela abolição da monarquia "cresça rapidamente nos próximos anos".

Os republicanos ingleses prometem protestos para quando o Rei Carlos III for coroado e defendem que o Reino Unido "precisa de um debate sobre o futuro da monarquia", ao mesmo tempo que lamentam o seu silenciamento nos últimos dias.

"Entristece-nos ouvir a notícia da morte da Rainha e desejamos expressar as nossas condolências à família real. Haverá muito tempo para debater o futuro da monarquia. Por agora, devemos respeitar a perda pessoal da família", escreveu aquela que é considerada a maior organização republicana do Reino Unido, Republic, num comunicado divulgado em 08 de setembro, dia em que Isabel II morreu, aos 96 anos, após 70 de reinado.

Mas desde aquele dia, a Republic já divulgou mais três comunicados, a pedir um debate sobre a monarquia, a anunciar protestos para a data da coroação do novo monarca (ainda não marcada) e a condenar a detenção e admoestação por parte da polícia a manifestantes antimonarquia nos dias que se seguiram à morte de Isabel II.

"A Grã-Bretanha precisa de um debate sobre o futuro da monarquia", lê-se num comunicado na organização divulgado em 10 de setembro, dia da proclamação oficial de Carlos III como Rei de Inglaterra, acrescentando-se que "a proclamação de um novo rei é uma afronta à democracia", lê-se na nota.

A organização destaca que o Reino Unido mudou totalmente desde 1952, quando Isabel II chegou ao trono, e que a primeira sucessão na coroa britânica em 70 anos, numa "sociedade moderna e democrática", o chefe de Estado não "pode simplesmente assumir o papel sem debate ou sem ser posta em causa a sua legitimidade".

A organização justificou as tomadas de posição após o primeiro comunicado de 08 de setembro por a morte de Isabel II ser de natureza diferente da proclamação de um novo chefe de Estado, que é um "ato político" e um "acontecimento constitucional", "a que se opõem milhões de pessoas".

"Levantar questões sobre a natureza dessa posição e o papel da monarquia neste momento é inevitável", defende a Republic, que reconhece que "o nível de apoio público" à monarquia foi, "em grande medida, impulsionado pelo reinado da rainha" Isabel II, embora tenha "caído acentuadamente nos últimos anos".

No entanto, "a primeira sucessão na era democrática moderna, a primeira sucessão desde o advento da Internet e as mudanças sociais e políticas tectónicas dos últimos 70 anos devem levantar sérias questões sobre como nos governaremos no futuro", insiste a organização, que quer ver o debate a "começar agora".

A Republic condenou também as detenções e comportamentos da polícia em relação a manifestantes republicanos, alertando para o risco de estar em causa a liberdade de expressão no Reino Unido, e sublinhou como os meios de comunicação social têm debatido nestes dias o futuro da monarquia sem ouvir os que defendem o seu fim.

"Não esperamos que as vozes republicanas sejam ouvidas na cobertura da morte da Rainha, mas a cobertura da subida ao trono de Carlos é uma matéria muito diferente", lê-se num comunicado da Republic de 12 de setembro.

"O apoio à monarquia caiu muito nos anos recentes, de 75% para 60%, com mais de uma em cada quatro pessoas a quererem a sua abolição. Muito milhões mais simplesmente não têm opinião sobre o assunto, mas a complexidade das opiniões não se reflete na cobertura mediática", acrescenta.

A organização revelou, nos seus comunicados, que planeia "organizar protestos aquando da coroação" de Carlos III, que espera que possam avançar de forma pacífica.

"Carlos pode ter herdado a Coroa, mas não herdou o respeito e a deferência dedicados à sua mãe", sublinha a Republic, que diz esperar que o movimento pela abolição da monarquia "cresça rapidamente nos próximos anos".

Na segunda-feira, a polícia de Londres reconheceu o direito a manifestações contra a monarquia depois de um vídeo ter mostrado agentes a escoltar um manifestante e detenções noutras partes do Reino Unido desde a morte de Isabel II.

"O público tem o direito absoluto de protestar, deixámos isto claro a todos os agentes envolvidos na extraordinária operação policial atualmente em curso e vamos continuar a fazê-lo", afirmou a Polícia Metropolitana, num comunicado.

O comunicado foi emitido na segunda-feira à noite em resposta a um vídeo de agentes a escoltar um manifestante junto ao parlamento, onde o Rei Carlos III foi receber de manhã as condolências pela morte da mãe.

Dois manifestantes levantaram cartazes onde estava escrito "Não é o meu rei", "Abolição da monarquia" e "Fim ao feudalismo" no passeio em frente ao Palácio de Westminster, o edifício do parlamento.

Na Escócia, no domingo, uma mulher foi detida por conduta desordeira ao segurar um cartaz onde se lia "Que se lixe o imperialismo, abolir a monarquia" momentos antes da proclamação pública do novo rei, acompanhada por apupos de outras pessoas.

Na segunda-feira, também em Edimburgo, um homem foi levado pelos polícias da multidão que observava o cortejo fúnebre de Isabel II ao chamar "velho nojento" ao príncipe André, que pagou milhões de euros nos EUA para evitar um julgamento por abuso sexual de menor.

Em Oxford, centro de Inglaterra, um ativista de 45 anos foi brevemente detido depois de gritar "Quem o elegeu?" também durante uma proclamação pública rei.

De acordo com uma sondagem publicada por ocasião do 70.º aniversário do reinado em junho pelo instituto YouGov, 62% dos britânicos pensam que o país deveria permanecer uma monarquia e 22% responderam preferir um chefe de Estado eleito.

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