Reportagem em Zaporizhzhya. Falta de corredores humanitários e escassez de torniquetes para feridas

Hospitais em Zaporizhzhya procuram redistribuir doentes, mas ainda são muitos aqueles que se encontram em estado crítico e não podem ser transportados.

A ausência de corredores humanitários está a dificultar a chegada dos que querem abandonar a cidade vizinha de Mariupol. O fotojornalista André Luís Alves, que está na cidade ucraniana de Zaporizhzhya, conta que "as pessoas continuam a sair de Mariupol com bastante dificuldade".

"O corredor humanitário não está a ser respeitado. Os soldados russos não cumprem a sua palavra, mesmo em negociação informal com algumas famílias. Muitas vezes, acontece que os soldados acordam, dizem que sim, que [os ucranianos] podem passar, e depois, mais à frente, há outros [soldados russos] que disparam, portanto, tem sido muito difícil", relata.

Em Zaporizhzhya, o repórter visitou um hospital da cidade, onde os médicos ucranianos deram conta das dificuldades com que estão confrontar-se. "Ainda há muitos doentes em estado bastante grave", conta André Luís Alves. "[Os médicos] têm tentado, desde a semana passada, redistribuir os doentes menos graves e que estão estabilizados para outros hospitais aqui nas imediações. Mantiveram apenas os que estão em cuidado crítico" - e que ainda são bastantes, indica.

O fotojornalista, que, neste hospital, assistiu a uma sessão de formação dada por uma médica militar, afirma ainda que, nesta altura, um dos bens médicos mais escassos na Ucrânia são os "torniquetes para estancar hemorragias de feridas mortais". "É muito difícil encontrá-los. Quem os tem guarda-os quase como ouro", conta.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.119 civis, incluindo 139 crianças, e feriu 1.790, entre os quais 200 crianças, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra provocou a fuga de 10 milhões de pessoas, incluindo mais de 3,8 milhões de refugiados em países vizinhos e quase 6,5 milhões de deslocados internos.

A ONU estima que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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