Rússia nega ter enviado resposta por escrito a propostas dos EUA

Diplomata apontou que o ministro dos Negócios Estrangeiros russo enviou uma mensagem ao seu homólogo norte-americano e a outros colegas ocidentais sobre "o princípio da indivisibilidade da segurança".

A Rússia negou esta terça-feira que tenha enviado aos Estados Unidos da América (EUA) uma resposta por escrito a uma proposta norte-americana para desanuviar a crise sobre a Ucrânia.

"Não é verdade", disse o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Alexander Grushko, à agência de notícias russa Ria Novosti, citada pela agência norte-americana Associated Press (AP).

A Ria Novosti também citou um diplomata russo, cuja identidade não foi divulgada, que apontou que o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, enviou uma mensagem ao seu homólogo norte-americano, Antony Blinken, e a outros colegas ocidentais sobre "o princípio da indivisibilidade da segurança".

As fontes citadas pela agência russa disseram, no entanto, que não se trata de uma resposta às propostas dos EUA. O porta-voz do Kremlin (Presidência russa), Dmitry Peskov, disse esta terça-feira aos jornalistas que tem havido confusão sobre a troca de missivas entre Moscovo e Washington, e afirmou que a resposta da Rússia às propostas dos Estados Unidos ainda está em curso.

O que foi transmitido aos funcionários ocidentais "foram outras considerações, sobre uma questão um pouco diferente", disse Peskov, citado pela AP.

Três funcionários do Governo norte-americano que não foram identificados pela AP disseram, na segunda-feira, que a Rússia tinha enviado uma resposta escrita às propostas dos EUA, também enviadas por escrito.

Um funcionário do Departamento de Estado, que também não foi identificado, recusou-se a dar mais detalhes sobre a resposta, considerando "imprudente discutir em público" e acrescentando que devia ser a Rússia a divulgar o conteúdo.

As propostas dos Estados Unidos já constituíam uma resposta escrita a exigências da Rússia para desanuviar a crise sobre a Ucrânia, suscitada pela concentração de dezenas de milhares de tropas russas junto à fronteira com o país vizinho.

Os dirigentes ucranianos e ocidentais acusam a Rússia de ter enviado as tropas para a fronteira para invadir novamente a Ucrânia, depois de ter anexado a península ucraniana da Crimeia, em 2014.

A Rússia nega qualquer intenção bélica, mas condiciona o desanuviamento da crise a exigências que diz serem necessárias para garantir a sua segurança.

Essas exigências incluem uma garantia de que a Ucrânia nunca será membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) e que a Aliança retirará as suas tropas na Europa de Leste para posições anteriores a 1997.

Os Estados Unidos rejeitaram as exigências russas, mas deixaram a porta aberta para conversações sobre outras questões de segurança, tais como destacamentos de mísseis ou limites recíprocos de exercícios militares.

Os chefes da diplomacia russa, Sergei Lavrov, e norte-americana, Antony Blinken, têm na agenda de hoje uma conversa telefónica sobre a crise entre a Ucrânia e a Rússia.

Na segunda-feira, num debate no Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a crise, a Rússia acusou o Ocidente de "fazer aumentar as tensões" sobre a Ucrânia e disse que os Estados Unidos tinham levado "nazis puros" ao poder em Kiev.

A embaixadora dos Estados Unidos junto da ONU, Linda Thomas-Greenfield, respondeu que a crescente força militar russa ao longo das fronteiras da Ucrânia constitui a "maior mobilização" de tropas na Europa em décadas.

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