Taliban dizem a funcionárias do Ministério das Finanças: "Escolham um homem para ocupar o vosso lugar"

"As mulheres foram proibidas de trabalhar na maioria dos empregos públicos", avança relatório da Human Rights Watch.

O governo taliban pediu às funcionárias do Ministério das Finanças para recomendarem parentes do sexo masculino para fazerem o seu trabalho. Tal acontece um ano depois de mulheres do setor público terem sido impedidas de trabalhar no Governo e serem obrigadas a ficar em casa.

Depois de os taliban terem assumido o poder em agosto de 2021, várias funcionárias foram mandadas para casa, recebendo salários reduzidos para não fazer nada.

De acordo com o The Guardian, os taliban requisitaram que as mulheres de alguns empregos recomendassem alguém do sexo masculino para ocupar os seus lugares. O argumento utilizado para justificar esta decisão foi que "a carga de trabalho nos escritórios tinha aumentado" e que tinham de contratar homens invés de mulheres.

Já em maio, a diretora executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous estimava "que as restrições atuais ao emprego de mulheres pudessem resultar numa perda imediata de até um bilião de dólares (cerca de mil milhões de euros) - ou até 5% do PIB do Afeganistão".

Outra mulher, de 37 anos recebeu uma chamada dos recursos humanos do Ministério das Finanças, onde trabalhou mais de 15 anos, com o mesmo objetivo. "Pediram-me que recomendasse um homem para me substituir, para que eu pudesse ser despedida do meu trabalho", referiu.

Várias funcionárias relatam que, desde que os taliban assumiram o poder, o governo do Afeganistão tem diminuído o papel das mulheres e reduzido os seus salários. O The Guardian avança que um grupo de funcionárias está em negociações com o governo de forma a tentar diminuir as desigualdades apresentadas.

Sahar Fetrat, investigadora assistente da divisão de direitos das mulheres da organização Human Rights Watch (HRW), assumiu que os governantes "têm um histórico de 'eliminar' as mulheres", e que por isso, "ouvir isto não é surpreendente nem novo".

A HRW investigou a perda de empregos das mulheres em Ghazni desde que os taliban assumiram o poder e, num relatório com dados deste ano, concluíram que "quase todas as mulheres entrevistadas, que tinham empregos remunerados, perderam os empregos".

Os taliban "reverteram avanços dos direitos das mulheres e liberdade de imprensa", é possível ler no relatório. "As mulheres foram proibidas de trabalhar na maioria dos empregos públicos", por exemplo as professoras que davam aulas a meninos.

"Apenas mulheres profissionais de saúde e professoras podem trabalhar. As mulheres que trabalham em outros campos são forçadas a ficar em casa agora."

O Afeganistão está a viver um momento de crise económica e humanitária. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 20 milhões de pessoas enfrentam fome aguda e mais de nove milhões foram deslocadas desde que os taliban assumiram o poder.

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