União Africana pede ajuda internacional para lidar com efeitos do conflito

o presidente da União Africana explica que o continente "está a sofrer todo o peso desta guerra na Ucrânia".

O chefe de Estado senegalês e presidente da União Africana (UA), Macky Sall, pediu esta terça-feira ajuda aos parceiros internacionais, incluindo o Banco Mundial, para ajudar o continente africano a lidar com as consequências da guerra na Ucrânia.

Em particular, Macky Sall pediu que a comunidade internacional redistribua aos africanos os seus direitos especiais de saque (SDR) - títulos conversíveis criados pelo Fundo Monetário Internacional e alocados aos seus estados-membros, que podem gastá-los sem entrar em dívida.

O Presidente senegalês falava numa conferência de imprensa com o presidente do Banco Mundial, David Malpass, noticiou a agência France Presse (AFP).

"Discutimos esta situação global marcada pelo impacto preocupante da crise na Ucrânia nas nossas economias enfraquecidas. [O continente africano] está a sofrer todo o peso desta guerra na Ucrânia", realçou Macky Sall.

Em meados de fevereiro o também presidente da União Africana tinha pedido a realocação de SDR.

O FMI aprovou, em agosto de 2021, a afetação geral de SDR equivalentes a 650 mil milhões de dólares (547 mil milhões de euros), para aumentar a liquidez global devido à pandemia de Covid-19, dos quais 33 mil milhões de dólares (cerca de 29 mil milhões de euros) devem retornar automaticamente a África, montante considerado muito insuficiente pela UA.

Dada a escalada da crise atual e as perspetivas negativas que se preveem para a estabilidade e o emprego, a UA propôs que o Banco Mundial analise a possibilidade de implantar o mecanismo aprimorado de resposta à crise, salientou Macky Sall.

"Este é um apelo dirigido a todo o mundo, a todos os parceiros bilaterais. Pedimos o fim da guerra na Ucrânia. Tudo deve ser feito para parar este conflito", salientou.

A UA tinha instado, em 24 de fevereiro, a Rússia e "qualquer outro ator regional ou internacional" a respeitar o direito internacional, a integridade territorial e a soberania nacional da Ucrânia.

Na terça-feira, este órgão voltou a apelar à Rússia para que chegue a um entendimento com a Ucrânia para um cessar-fogo imediato e para a abertura de negociações sob a égide da ONU.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que causou pelo menos 953 mortos e 1.557 feridos entre a população civil, incluindo mais de 180 crianças, e provocou a fuga de mais 10 milhões de pessoas, entre as quais 3,53 milhões para os países vizinhos, indicam os mais recentes dados da ONU.

Segundo as Nações Unidas, cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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