Von der Leyen: "O antissemitismo está novamente em ascensão na Europa"

"Na Alemanha Nazi, a desumanização abriu as portas ao Holocausto", afirma Von der Leyen, avisando que "o anti-semitismo está em ascensão".

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen apela às gerações mais novas para travarem "o ódio e a violência" que no passado levaram à "hora mais negra" da Europa.

A falar a propósito do dia da memória do holocausto, a presidente da comissão deixou um alerta, dizendo que a ameaça que levou ao extermínio de milhares de judeus, nos campos de concentração criados pela Alemanha Nazi, não desapareceu. Pelo contrário, afirma que o anti-semitismo é uma "ameaça em ascensão" dentro das fronteiras da União Europeia.

A chefe do Executivo comunitário, Ursula von der Leyen afirma que as gerações mais novas tem uma responsabilidade acrescida, para que a história não se repita.

"Os jovens terão a responsabilidade de derrotar tudo o que possa levar à mesma espiral de ódio e violência", afirmou citando Simone Veil, primeira mulher a presidir ao Parlamento Europeu.

"Quando Simon Veil tinha apenas 16 anos, ela foi presa e enviada para Auschwitz porque era judia. Ela sobreviveu a Auschwitz e, no inverno de 1945, foi novamente enviada numa marcha da morte para o campo de concentração de Bergen-Belsen, ela sobreviveu", lembrou com uma referência ao papel que, anos mais tarde, Simone Veil desempenhou na construção da Europa Comunitária.

"Tendo testemunhado a mais negra hora da Europa, ela ajudou a construir o nosso futuro, como uma mãe fundadora da nossa União Europeia", afirmou.

Olhando para o passado, a presidente da Comissão afirma que o resultado do anti-semitismo é uma má memória que "nunca devemos esquecer".

"Lembrar é tomar uma posição para defender a dignidade humana em qualquer lugar", afirmou. "O anti-semitismo desumaniza o povo judeu, [e] esvaziou os indivíduos dos próprios direitos e dignidade", lamentou Von der Leyen, acrescentando que "na Alemanha Nazi", foi "a desumanização que abriu as portas ao Holocausto".

No dia em que recorda a libertação do holocausto, Von der Leyen alerta que a ameaça continua a existir, 77 anos depois, e "o antissemitismo está novamente em ascensão, e ameaça as comunidades judaicas na Europa".

De acordo com os números avançados hoje pela Organização Sionista Mundial e Agência Judia, com sede em Israel, "a média de incidentes antissemitas em 2021 foi de mais de dez por dia", traduzindo-se no ano, mais antissemita da última década".

Ambas as organizações consideram que "o número real" de incidentes anti-semitas "é significativamente mais elevado porque as vítimas não fazem denúncias porque têm medo e por causa da falta de ação dos organismos responsáveis por fazerem cumprir a lei".

Em outubro do ano passado, Von der Leyen apresentou "a primeira estratégia da comissão para combater o anti-semitismo e promover a vida judaica na Europa", lembrou hoje, referindo-se à iniciativa que pretende também "promover a investigação, a educação e a memória do Holocausto".

"Porque a vida judaica é parte integrante da história da Europa e do futuro da Europa", vincou a presidente da Comissão Europeia.

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