Zelensky anuncia restrições a organizações religiosas ligadas à Rússia

Estado ucraniano deverá ainda averiguar sobre o estatuto da Igreja ortodoxa ucraniana relacionado "com a presença de uma ligação canónica com o patriarcado de Moscovo".

A Ucrânia vai limitar no seu território as atividades das organizações religiosas filiadas à Rússia e questionar o estatuto da igreja ortodoxa dependente do patriarcado de Moscovo, anunciou na quinta-feira o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

"O Conselho de Segurança Nacional e de Defesa encarregou o Governo de propor à Verkhovna Rada (parlamento) um projeto-lei para tornar impossível as atividades na Ucrânia de organizações religiosas filiadas aos centros de influência na Rússio", declarou no seu habitual discurso noturno por vídeo.

Segundo Zelensky, o Estado ucraniano deverá ainda averiguar sobre o estatuto da Igreja ortodoxa ucraniana relacionado "com a presença de uma ligação canónica com o patriarcado de Moscovo e, se necessário, adotar as medidas previstas na lei".

Estas medidas segurem-se às operações de busca efetuadas em novembro pelos serviços de segurança ucranianos no principal mosteiro de Kiev, a capital, e local de residência do primado da Igreja ortodoxa ucraniana, e em outros locais de culto, justificadas pelas suspeitas de ligações com Moscovo.

Os serviços decretos ucranianos anunciaram de seguida a confiscação de milhares de dólares e de "literatura pró-russa".

A Ucrânia, um país com maioria de população ortodoxa, está dividida entre uma Igreja dependente do patriarcado de Moscovo - que no entanto anunciou a rutura das ligações com a Rússia no final de maio devido à invasão do país - e por uma outra Igreja representada pelo patriarcado de Kiev e que em 2019 prestou obediência ao patriarca Bartolomeu, sediado em Istambul.

Já no oeste do país, é significativa a influência da Igreja greco-católica, que cumpre a liturgia ortodoxa mas presta obediência ao Papa.

O patriarca Kirill, o chefe supremo da Igreja ortodoxa russa, tem manifestado um importante apoio ao Presidente Vladimir Putin e denunciou as ações policiais na Ucrânia como um "ato de intimidação" dirigido aos crentes.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas - mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,8 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa - justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 6.655 civis mortos e 10.368 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

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