Destaques

Raul M. Braga Pires
Raul M. Braga Pires

Afectos com Letras ONGD ganha Prémio Associativismo Lusófono 2022

Decorreu no Casino Estoril neste Primeiro de Outubro a VI Edição da Gala Prémios da Lusofonia. Na Categoria Associativismo, o prémio foi merecidamente para a Afectos com Letras, ONGD cujo foco recai sobre a Guiné-Bissau, sobretudo na promoção de construção de escolas e criação de bibliotecas neste país irmão. Animado por Joana Benzinho, conhecida assessora parlamentar e chefe de gabinete de um eurodeputado, é desta forma que esta "cidadã-voluntária" encontra a felicidade, com um número invejável de realizações realizadas, de capítulos concluídos deste livro de afectos com a Guiné-Bissau que começou a ser escrito em 2009. Seis bibliotecas (acervo total 12 mil livros), quatro escolas, toneladas de medicamentos, paletes de ajuda humanitária e muitas muitas descascadoras de arroz para empoderar as meninas. O "fanado", a excisão, também é uma das guerras de Joana Benzinho, cujo programa de actividades da Afectos com Letras contempla e apoia campanhas de esclarecimento contra esta prática. Neste capítulo, fruto de uma acção prioritária e mobilização conjunta de todos os/as guineenses, o fenómeno da excisão, uma prática tradicional hoje considerada nefasta, tem diminuído em número considerável, sendo este um sucesso também da Afectos com Letras. Recorro à página Facebook de Joana Benzinho para lhe captar "um directo" pós-prémio:

Mais Opinião

Paulo Baldaia
Paulo Baldaia

A responsabilidade do PSD e do PS na normalização do Chega

A afirmação da extrema-direita e o seu potencial de crescimento, na Europa de uma forma geral e em Portugal de uma forma particular, é um risco a que devemos estar atentos. A normalização do Chega, vista pelo PSD de Luís Montenegro, como indispensável para chegar ao poder, é um erro do ponto de vista partidário, pelo risco de fazer crescer o poder de negociação de André Ventura, mas sobretudo por contribuir para uma cada fez maior divisão da sociedade, assente num nacionalismo xenófobo e racista promovido pelo Chega.

Miguel Poiares Maduro
Miguel Poiares Maduro

Quero mais e menos impostos

Diferenças de opinião são normais dentro de um governo. Os governos são órgãos colegiais e logo plurais. São é arbitradas dentro do governo. É raro que se tornem públicas. Não é este o caso da recente controvérsia que opôs o ministro da Economia, defensor de uma redução dos impostos sobre as empresas, a outros membros do governo (em particular das Finanças). Não é a primeira vez que o ministro exprime uma opinião em matéria fiscal e é depois corrigido. A outra, curiosamente, foi no sentido oposto: quando suscitou a possibilidade de criar um imposto sobre os lucros extraordinários que algumas empresas do sector energético estão a ter.

Inês Cardoso
Inês Cardoso

Sim, senhor primeiro-ministro

A guerra mantém-se na praça pública há uma semana e meia. Desde que o ministro da Economia se pronunciou a favor de uma redução generalizada do IRC no Orçamento do Estado para 2023, numa entrevista à TSF e Jornal de Notícias, assistimos a consecutivos e imparáveis movimentos de desautorização pública de António Costa Silva. Num momento inicial o aviso mais contundente, mandando calar o seu colega de Governo, partiu do titular das Finanças, Fernando Medina. É uma reação que se entende, dada a divergência de interesses e o papel de guardião do cofre de quem tem esta pasta. Muito mais grave é que tenham sido entretanto vários os secretários de Estado a pronunciar-se, incluindo os tutelados pelo próprio ministro da Economia. Não é normal vermos governantes desautorizados na praça pública pela sua equipa direta.

Raul M. Braga Pires
Raul M. Braga Pires

O Irão já não é Persa!

Sazonalmente, em média a cada dois anos, o actual Irão das virtudes e dos bons costumes volta aos noticiários por razões que no limite, nos confortam pelo facto de sermos portugueses e de vivermos no país mais livre do Mundo (o que me obriga a abrir aqui este "pequeno parêntesis" em jeito de tributo àqueles/as que conheço e que se encontram na prisão por uma caricatura ou uma simples linha publicada nas respectivas redes sociais. Piadas que se transformam em pesadelos, por terras onde rir também é pecado. Uma vez, no lóbi de um hotel no Cairo, a recepcionista veio ter com o grupo de portugueses onde me encontrava inserido, para nos pedir que "ríssemos à vontade, mas baixinho"! Conseguem imaginar as nossas caras e a gargalhada subsequente ainda mais barulhenta? E a cara da zelosa recepcionista quando percebeu que com "tugas" não iria a lado nenhum? Depois ainda há as outras e os outros que com cara mais fechada, sem risos, lutam contra as incongruências dos códigos civis e penais que estabelecem legalmente as diferenças entre sexos, nas liberdades, nas oportunidades, nas heranças e nas clausulas de salvaguarda que protegem sempre o violador colocando o ónus na violada, pela forma como se veste, como anda do verbo andar e como "anda do verbo acompanhar"! O meu respeito a todos/as aqueles e aquelas que se disponibilizaram a "queimar as próprias asas" para os outros poderem voar mais alto).

Miguel Poiares Maduro
Miguel Poiares Maduro

Futebol – Uma proposta

O futebol voltou a trazer-nos maus exemplos. Casos recentes, envolvendo crianças adeptos de clubes visitantes, vítimas da raiva de adeptos locais voltaram a chamar a atenção para o clima que se vive, com triste frequência, nos estádios de futebol. Para quem, como eu, é um adepto de futebol com presencia assídua nos estádios isto tem tanto de triste como de pouco surpreendente. São quase mais os cânticos ofensivos contra as equipas visitantes do que os cânticos de apoio à equipa da casa. São mais as agressões verbais contra árbitros e atletas, incluindo os da casa, do que os festejos com os golos ou entusiasmo com as jogadas mais belas.

Inês Cardoso
Inês Cardoso

Desconcentrar, descentralizar, regionalizar

Quando, em 2017, António Costa chegou a anunciar a deslocalização do Infarmed para o Porto e o projeto caiu rapidamente por terra, um inquérito aos trabalhadores concluiu que 82,7% não estariam dispostos a mudar de local de trabalho. O mesmo estudo perguntou como avaliavam a eventual mudança de localização do serviço e percorrer o anexo em que são fundamentadas as 98,9% de respostas que consideraram que a instalação fora de Lisboa seria "negativa" para a missão e desempenho do Infarmed é toda uma viagem ao país profundamente centralizador que somos.