Mais Opinião

Miguel Poiares Maduro
Miguel Poiares Maduro

30 Anos de Conselho Económico e Social entre o Diálogo Social e a Democracia Participativa

Participei ontem num painel de apresentação do livro sobre os 30 anos do Conselho Económico e Social. É diga-se um livro em boa hora promovido pelo atual Presidente do CES (Francisco Assis) e exemplarmente escrito por Pedro Tadeu. O livro e o debate que se seguiu identificaram sucessos e insucessos do CES expondo a tensão permanente em que tem vivido desde a sua origem. Em primeiro lugar, uma tensão histórica, entre a influência do modelo europeu de diálogo social e o medo do corporativismo associado com o Estado Novo. E, em segundo lugar, a tensão decorrente das diferentes funções atribuídas ao CES, em particular, simultaneamente, órgão de concertação social e órgão participativo da sociedade civil. Há que dizer que o CES tem sido bastante mais eficaz como órgão de concertação social (com vários acordos ao longo da sua história) do que como instrumento de consulta e participação da sociedade civil no processo político.

Inês Cardoso
Inês Cardoso

Um investimento pouco católico

Falar de dinheiro dá pano para mangas quando se trata de uma instituição com a história e os pecados da Igreja Católica. O tema já voltou a suscitar acalorados debates à luz da Jornada Mundial da Juventude, que este ano irá juntar um milhão (ou mais) de jovens em Lisboa. Quando foram aprovadas as autorizações de despesa por parte do Governo, a que se juntam investimentos da Câmara Municipal de Lisboa, não faltaram críticas à aplicação de verbas públicas num evento confessional. Essa é, ainda assim, uma falsa questão. Basta olhar para anteriores jornadas e torna-se fácil perceber o efeito que uma iniciativa de tamanha dimensão tem na economia nacional e sobretudo local, ao mesmo tempo que projeta a imagem do país à escala global.

Pedro Cruz
Pedro Cruz

Como é que isto aconteceu?

A última sondagem da TSF, DN e JN tem vários indicadores a que sobretudo PS e PSD deveriam estar atentos. Uma sondagem não é uma eleição. Nem substitui o voto em urna, decidido diante das circunstâncias e no momento exato em que se vota. Mas, há décadas que as sondagens regulares e fora dos períodos eleitorais revelam tendências, perscrutam a opinião e sensibilidade do eleitorado e deveriam ser tidas em conta como indicadores da forma como a sociedade olha para o estado da nação.

Raul M. Braga Pires
Raul M. Braga Pires

O "ambiente de negócios" entre Argélia e Marrocos

Começando pelo fim, não "direi", como se ouve amiúde o Presidente Marcelo dizer, antes digo que está tudo bem, no sentido em que os sinais e actos que "transpiram para o exterior" da picardia diplomática entre os dois países, significam que não se avançará para uma guerra directa entre os dois vizinhos rivais, como muitas vezes muitos pintam. Recordo um jantar, para o qual apenas tinha sido convidado para tomar o aperitivo com um dos convivas, para acertarmos umas direcções, relativamente a uma campanha eleitoral que se aproximava e depois pirar-me, já que os assuntos à mesa eram só para serem tratados pelos adultos na sala! Foi precisamente um desses adultos que gritou "Argélia", quando uma das conversas paralelas versou os perigos do islamismo mais próximo. São precisamente estes adultos que mantêm os clichés de há 20 ou 30 anos, não querendo perceber que tudo mudou para além dos seus quintais.

Miguel Poiares Maduro
Miguel Poiares Maduro

Discutir critérios em vez de questionários

De supérfluo a ridículo, são inúmeros os epítetos atribuídos ao questionário criado pelo governo para, alegadamente, averiguar da integridade dos potenciais candidatos a ministros e secretários de estado. Raros são os elogios. Também não ouvirão um da minha parte, mas, ao mesmo tempo, também não o ridicularizo. Qualquer esforço para trazer mais método ao governo é positivo, particularmente num governo que parece desesperadamente necessitar de algum método e organização. O questionário é, no fundo, uma forma mais sistemática e organizada de recolher informação sobre os candidatos a membros do governo.

Inês Cardoso
Inês Cardoso

Proteger a vítima ou proteger o agressor?

As épocas festivas e sobretudo o Natal têm muito pouco de mágico em famílias disfuncionais. São até "a pior altura do ano" para crianças em situações de conflito, como ontem destacou a presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens, ao apresentar as estatísticas de denúncias chegadas àquela entidade no mês passado. Só em dezembro, foram 871 os relatos de menores em perigo. Número que se traduz num recorde desde que este mecanismo de denúncia online foi criado, em junho de 2020.

Daniel Oliveira
Daniel Oliveira

O que poderíamos debater no meio do cansaço dos professores

Daniel Oliveira fala sobre a greve e os protestos dos professores, que estão a decorrer um pouco por todo o país nos últimos dias. Para o jornalista, há "muitas coisas para debater" sobre este tema, nomeadamente, "como é que aqueles que chamaram irresponsáveis ao PCP e ao BE, por defenderem que o tempo de carreira que foi congelado aos professores tinha de ser todo contabilizado, e ainda mais irresponsável a Rui Rio por ter acompanhado esta exigência, agora acham que os professores têm razão".

Raul M. Braga Pires
Raul M. Braga Pires

CHAN 2022 – sabe do que se trata?

A CAN é o Campeonato Africano das Nações, de Futebol. A CHAN trata-se do mesmo campeonato mas as equipas nacionais apenas podem convocar os jogadores que joguem em campeonatos africanos de futebol. A CHAN 2022 (7ª edição) teve início na passada sexta-feira 13 na Argélia, com um enorme, embora previsível problema diplomático. O corte de relações diplomáticas entre Argélia e Marrocos (agosto 2021), por iniciativa dos primeiros, obrigou naturalmente à interdição do seu espaço aéreo a aeronaves com origem ou com destino a Marrocos. O problema começa precisamente aqui, com Marrocos a querer garantir uma excepção a esta nova regra, com um voo da Royal Air Maroc (RAM) de Rabat directo para Constantine, cidade no leste da Argélia onde Marrocos disputaria a fase de grupos. Perante a solicitação marroquina, a Confederação Africana de Futebol (CAF), organizadora do evento não teve, ou não quis ter força para se impor ao país anfitrião. Este respondeu que a companhia aérea tunisina, neutra neste cenário, se deslocaria a Rabat para transportar os Leão do Atlas, os quartos classificados no Qatar 2022 e vencedores da CHAN 2018 e 2020. Perante esta proposta de solução, os marroquinos decidiram "bater o pé" e não participar na prova, não podendo assim defender os títulos ganhos nas duas últimas edições.

Raquel Vaz Pinto
Raquel Vaz Pinto

As palavras sem sentido do Patriarca de Moscovo

A instrumentalização da religião (seja ela qual for) pela política e vice-versa é uma das histórias mais antigas do mundo. Mais ainda, quando essa política se faz através da violência e da invasão de um país como é o caso da Rússia face à Ucrânia há quase um ano. Na verdade, violência, religião e política foram ao longo do tempo e, infelizmente, ainda são, uma espécie de tripla. Uma tripla que, para quem é crente como eu, entristece e preocupa.