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Pedro Cruz
Pedro Cruz

Minoria absoluta

O povo, ou a «arraia-miúda», que Marcelo desenterrou no discurso do 10 de junho, tem sempre razão. Quando chamado a votar, escolhe de acordo com um amplo leque de critérios, que vão desde a proximidade ideológica, à «tradição» familiar, a identificação com determinado líder político, a influência de amigos ou de referências próximas. E, claro, vota também com a carteira. E vota em quem acredita que vai ganhar. E vota, muitas vezes, não para premiar um governo, mas para castigar oposições. Nas últimas eleições, claramente, o povo votou para castigar os parceiros do Governo durante quatro anos, e que o deixaram cair nos últimos dois. E, pela quarta vez desde o 25 de abril, decidiu atribuir maioria absoluta a um só partido.

Raul M. Braga Pires
Raul M. Braga Pires

Lavrov no Cairo e Macron em Bissau!

Parece mesmo que regressámos à guerra fria, com "o primeiro e o segundo mundos" em ambiente de "paz impossível, guerra improvável", entremeadas com missões diplomáticas de ambos ao "terceiro mundo", para garantir alianças e delinear estratégias de boicote ao próximo. Por isso, o MNE russo Lavrov foi a passada semana defender a reputação da Rússia enquanto defensora de África, pelo Egipto, República Democrática do Congo, Uganda e Etiópia. O Presidente francês efectuou o mesmo, praticamente em simultâneo, mas nos Camarões, Benim e Guiné-Bissau, precisamente com o intuito destes países e África Ocidental, não caírem no "canto da sereia" russo, como aconteceu recentemente com o Mali e o Burkina Faso. Os Camarões, com fronteira com a Nigéria (Boko Haram), a República Centro Africana (país com presença de tropas russas) e o Benim, cuja fronteira norte com o Burkina tem visto os jihadistas da Al-Qaeda e do Estado Islâmico descerem para sul, em sucessivos ataques terroristas, cujo objectivo será o de conseguirem abrir caminho para chegarem ao mar, ponto de fuga e entrada, através do já problemático Golfo da Guiné. É fundamental para a França que a África Ocidental não caia na órbita russa. Quanto à "nossa Guiné-Bissau", a presença de Macron teve um "olho nos russos e outro nos portugueses", já que não são de agora as ambições francesas em pintar a tricolor todo o espaço de Saint Louis a Conakri. De tal forma, que o esquema do "beija-mão diplomático" está instituído de forma a que Bissau necessite primeiro do ámen de Dakar, que necessita do de Paris, em simultâneo com o ámen de Lisboa. Por outro lado, verdadeiramente a ganhar ficou o Presidente Embaló Sissoko, da Guiné-Bissau, que no contínuo ruido sobre a sua legitimidade constitucional, se vê legitimado desta forma presencial ao mais alto nível e televisivamente, já que na tabanka, se passou na televisão, então é porque é verdade!

Pedro Cruz
Pedro Cruz

Pobre Segurança Pública

Primeiro, e começando pelo fim.
Há polícias com ligações à extrema-direita, fascistas, nazis e racistas? Há. Há policias corruptos, incompetentes, desmazelados e que abusam da autoridade? Há. E estes, esses, sejam quantos forem, devem ser investigados, julgados e punidos. Ponto final. Os polícias e, já agora, todos os profissionais que estão ao serviço público e que também são fascistas, nazis, incompetentes, desmazelados e que abusam do poder que lhes foi delegado e da autoridade que lhes foi confiada. (Assim de repente, lembro-me de vários outros servidores públicos, só que estoutros com a diferença de se apresentarem com um Dr. ou Doutor antes do nome próprio).

Filinto Lima
Filinto Lima

Educação digital, Escola humanista!

A iminente entrada no mês em que o país praticamente para de férias contrapõe-se ao que ocorre nas escolas, onde as direções executivas auxiliadas por professores, por técnicos especializados, pelos serviços administrativos e assistentes operacionais continuam a dar seguimento ao imenso trabalho burocrático adstrito à formação de turmas, distribuição de serviço letivo/docente, programação diligente do próximo ano letivo, implicando a elaboração ou atualização de uma diversidade significativa de documentos orientadores.

Miguel Poiares Maduro
Miguel Poiares Maduro

O que é informar

Há dias circulava um vídeo de um comentador (ou analista) televisivo militar que dizia que tinha uma fonte que colocava em causa a autenticidade do ataque russo ao porto de Odessa no dia seguinte ao acordo entre a Ucrânia e a Rússia sobre o comércio dos cereais que se encontram nesse porto. Na sequência dessa revelação o jornalista pergunta-lhe, não sobre a credibilidade dessa informação, mas sim sobre a gravidade que essa informação comportava: que significado podia ter se se tivesse tratado afinal de uma ação (ou invenção) ucraniana.

Inês Cardoso
Inês Cardoso

Os que esquecem a sua história estão condenados a repeti-la

Há formas muito diferentes de viajar e motivações muito diversas quanto ao que se procura. Pode ser descanso, diversão, cultura ou conhecimento. É fácil convergirmos em destinos exóticos, paisagens deslumbrantes ou cidades carregadas de história. Mas também acontece viajarmos ao encontro do que de mais negro a humanidade produziu, porque esse confronto com o passado é essencial para não nos esquecermos dos erros que somos capazes de cometer.

Pedro Cruz
Pedro Cruz

Todos a bordo e siga a marinha

Não há duas sem três. E, na semana passada, o Governo levou à letra a sabedoria popular que, às vezes acerta, às vezes não. Costa mandou chamar os ministros para conselho, não uma, não duas, mas três vezes em apenas oito dias. Primeiro, terça-feira, um conselho extraordinário para fazer aprovar - e anunciar - novas medidas mesmo antes do debate do estado da nação. A 24 horas do combate que fecha o ano parlamentar, os ministros foram intimados a comparecer para acertar detalhes antes do "grande" confronto com a(s) oposição(ões).

Raul M. Braga Pires
Raul M. Braga Pires

Tunísia em dia de referendo e Mali em madrugada de quase terror

A Tunísia vai hoje a votos, para aprovar uma nova Constituição. De forma mais ou menos telegráfica, o Presidente (PR) Kais Saied, no Poder desde Outubro de 2019, fartou-se do "Parlamento espectáculo" que a "geringonça islamista" fez da Assembleia dos Representes do Povo, num governo de coligação onde os coligados em vez de governarem se agrediam diariamente. Há precisamente um ano, a 25 de Julho de 2021, Saied suspende o Parlamento, demite o Primeiro-Ministro Hichem Mechichi e inicia um novo processo, às escuras, no qual a população na altura pouco percebeu que destinos teria, adensando as suspeitas e os medos de que a "pequena República dos Professores", conforme ficou conhecida a recém independente Tunísia do primeiro PR Habib Bourguiba (1957-1987), voltasse de novos a ficar nas mãos de um déspota que se vê iluminado ao espelho. Com o Executivo e o Legislativo concentrado em si, desde Julho de 2021, o PR juntou-lhe o Judiciário a partir de Fevereiro último, farto também de ver a corrupção e as influências inquinarem os processos dos assassinatos políticos decorrentes do período de transição pós-Primavera Árabe. Esta justiça tinha de ser feita enquanto símbolo da passagem da barreira psicológica entre o antes e o depois.