Afectos com Letras ONGD ganha Prémio Associativismo Lusófono 2022

Decorreu no Casino Estoril neste Primeiro de Outubro a VI Edição da Gala Prémios da Lusofonia. Na Categoria Associativismo, o prémio foi merecidamente para a Afectos com Letras, ONGD cujo foco recai sobre a Guiné-Bissau, sobretudo na promoção de construção de escolas e criação de bibliotecas neste país irmão. Animado por Joana Benzinho, conhecida assessora parlamentar e chefe de gabinete de um eurodeputado, é desta forma que esta "cidadã-voluntária" encontra a felicidade, com um número invejável de realizações realizadas, de capítulos concluídos deste livro de afectos com a Guiné-Bissau que começou a ser escrito em 2009. Seis bibliotecas (acervo total 12 mil livros), quatro escolas, toneladas de medicamentos, paletes de ajuda humanitária e muitas muitas descascadoras de arroz para empoderar as meninas. O "fanado", a excisão, também é uma das guerras de Joana Benzinho, cujo programa de actividades da Afectos com Letras contempla e apoia campanhas de esclarecimento contra esta prática. Neste capítulo, fruto de uma acção prioritária e mobilização conjunta de todos os/as guineenses, o fenómeno da excisão, uma prática tradicional hoje considerada nefasta, tem diminuído em número considerável, sendo este um sucesso também da Afectos com Letras. Recorro à página Facebook de Joana Benzinho para lhe captar "um directo" pós-prémio:

"Foi para nós uma enorme honra receber o Prémio da Lusofonia Associatismo 2022. À organização da Gala da Lusofonia, que decorreu ontem no Casino do Estoril, o nosso agradecimento. Aos outros laureados das mais distintas áreas e países lusófonos, os nossos

Parabéns.

Que bem que nos soube ouvir homenagear numa sala repleta de gente o trabalho realizado diariamente por tanta gente boa cá deste lado e lá na Guiné-Bissau. Temos muito orgulho na equipa Afectos com Letras e é ela, sem qualquer dúvida, a merecedora da ovação da noite de ontem e deste bonito troféu.

O trabalho continua, agora ainda com mais responsabilidade para levar mais e melhor educação às meninas e aos meninos da Guiné-Bissau.

Estamos juntos!"

Parabéns Joana dos Afectos e das Letras, Estamos juntos!

Burkina Faso: Um golpe inoportuno!

Tive um debate interno sobre se haveria de dar destaque a este acontecimento de sexta-feira 30, mas a inexistência de qualquer evolução digna de nota desde sexta-feira, replico o ponto da situação publicado no DN sábado primeiro de Outubro:

O golpe deste 30 de setembro no Burkina Faso, em nada difere do de há oito meses do Tenente-Coronel Paul-Henri Sandaogo Damiba, agora derrubado pelo Capitão Ibrahim Traoré, sendo aqui que reside a diferença, na patente mais baixa, no que também se pode qualificar de geração mais nova. Mas isso é da vida! No que nada difere é na justificação para o golpe, já que o recém-criado Movimento Patriótico para a Salvação e Restauração (MPSR) acusa a Junta de Damiba não conseguir estancar o problema do jihadismo e falta de segurança, precisamente o que Damiba invocou há oito meses para derrubar o Presidente Roch Kaboré, reeleito para um segundo mandato em 2020.

A questão da pulverização de grupos jihadistas e milícias étnicas manipulados pelos primeiros infestou ainda mais o Burkina Faso e o Mali desde a saída dos franceses destes territórios (2020). Por outro lado, regista-se uma tendência da actividade de grupos ligados à Al-Qaeda do Magrebe Islâmico e ao Estado Islâmico no sentido sul das fronteiras com o Togo, o Benim, o Gana, a Costa do Marfim, num movimento lógico de tentativa de chegarem ao mar, um novo ponto de apoio, fuga e entrada a criar. A forma de combater estes grupos sempre dividiu os locais enquanto a França teve as rédeas das operações, criticados por malianos e burkinabés que afirmavam que as missões de caça ao terrorista deixavam as populações desprotegidas e sujeitas â vingança. A preocupação "da tropa" deveria ser na defesa das populações e não as empurrar para a órbita dos jihadistas (o surgimento das milícias étnicas tem neste cenário o seu contexto motivador).

Este golpe é inoportuno porque o Burkina já se tinha acertado com a CEDEAO, a marcação de eleições para 2024 e também porque nas contas de alguns académicos e analistas, a aposta ia no sentido do Níger. Não, no Níger um imperativo chamado Areva, garante os equilíbrios e a partilha do bolo.

Precisamente a dúvida sobre este golpe. Estando identificados dois grupos, um de coronéis e outro de capitães, resta saber se não haverá uma terceira entidade interessada neste negócio do combate ao jihadismo, numa perspectiva mais macro, naturalmente! Quem é que não estaria a comer deste bolo e movimentou a cavalaria agora?

Raúl M. Braga Pires é autor do site Maghreb-Machrek, é Politólogo/Arabista e escreve de acordo com a antiga ortografia

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