Cazaquistão e os desafios da guerra

Hoje, dia 19 de Setembro, entramos no dia 208 da Guerra russa na Ucrânia.

Enquanto conversava com o Ricardo Alexandre no seu Conselho de Guerra da passada sexta-feira fiquei a pensar num país cujos equilíbrios, podemos mesmo dizer malabarismos, externos entre a Rússia e a China são, no mínimo, desafiantes. Estou a falar do Cazaquistão.

A Ásia Central tem estado nas notícias sobretudo pela cimeira recente da Organização de Cooperação de Xangai no vizinho e rival Uzbequistão.

O modo como esta cimeira teve impacto, em particular, na relação da China com os países da Ásia Central e, para além disso, a visita de Xi Jinping ao Cazaquistão, já foram objecto de um artigo excelente do António Caeiro no Expresso. Aliás, em matérias relacionadas com a China o António é uma das vozes que mais vale a pena ouvir.

Voltando ao Cazaquistão. É revelante, desde logo, destacar o seu território (9º maior do mundo), os seus recursos energéticos, bem como a sua demografia. Não tanto pela população que é cerca de 19 milhões. Mas, pelo facto em comum com a Ucrânia de ter uma minoria etnicamente russa, nomeadamente 19% (quase um quinto), e de esta estar sobretudo situada na zona que faz fronteira com a Federação Russa.

Uma vez mais, gostava de deixar bem claro que para mim etnia russa não é automaticamente acompanhada de simpatia ou mesmo concordância com Moscovo. No entanto, tendo em conta a narrativa posta em marcha por Vladimir Putin para justificar a dita «operação militar especial» não pode deixar de ser uma fonte de preocupação para a liderança cazaque.

Preocupação é também uma boa palavra para descrevermos o que actualmente se vai sentindo no Kremlin e a sua capacidade, ou melhor incapacidade, de projectar poder e influência. Nos últimos dias, os conflitos entre o Quirguistão e o Tajiquistão e o Azerbaijão e a Arménia, aliado tradicional de Moscovo, regressaram. No fim-de-semana, Nancy Pelosi, a mulher que lidera a Câmara dos Representantes dos EUA, foi justamente à capital arménia e declarou «em nome do Congresso, condenamos firmemente os ataques mortíferos do Azerbaijão contra o território arménio».

Olhando para este conjunto de situações eu diria que a capacidade de Moscovo de ser o fiel da balança nestas regiões ex-soviéticas já conheceu melhores dias.

Assim como tenho a certeza de que irei voltar à análise destas regiões nos próximos tempos.

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