Educação digital, Escola humanista!

A iminente entrada no mês em que o país praticamente para de férias contrapõe-se ao que ocorre nas escolas, onde as direções executivas auxiliadas por professores, por técnicos especializados, pelos serviços administrativos e assistentes operacionais continuam a dar seguimento ao imenso trabalho burocrático adstrito à formação de turmas, distribuição de serviço letivo/docente, programação diligente do próximo ano letivo, implicando a elaboração ou atualização de uma diversidade significativa de documentos orientadores.

É tempo de valorizar este trabalho extraordinário, de retaguarda, quantas vezes invisível, mas crucial tendo em conta o encerramento do ano escolar e o advento do seguinte, que se almeja mais calmo, pleno de saúde e positivo.

Considero que o próximo ano escolar poderá ser aludido, no futuro, como o ano da Escola Digital, atendendo ao engajamento expendido na entrega de computadores e outro equipamento digital aos professores e alunos, para além da consolidação, pela adesão voluntária das escolas, da utilização de manuais digitais, o que já é prática corrente em diversos estabelecimentos de ensino.

É necessário atribuir importância, e ver aumentado, o trabalho cooperativo e colaborativo entre os docentes, entre discentes e, igualmente, entre estas duas entidades, de modo a rentabilizar os conhecimentos de todos, contribuindo, assim, para a eficácia de um processo ensino-aprendizagem, que se deseja cada mais aliciante. As mudanças efetivas nas práticas pedagógicas, sempre que se revelarem úteis, devem ser promovidas, sem receio de arriscar, sendo desaconselhável a manutenção de um status quo inconsequente, indiciador de uma indisponibilidade para acompanhar a evolução da sociedade. O mesmo se diga relativamente ao currículo - aquilo que as escolas ensinam aos discentes.

Contudo, é percetível que o professor continuará a ser o mentor dos ensinamentos e, principalmente, no método e na capacidade de os transmitir, independentemente do recurso aos meios tecnológicos e recursos de que dispõe, diversificando sempre que possível o uso dos mesmos. Esses, qualquer que seja a sua natureza, serão sempre auxiliares mobilizados pelos docentes para auxiliar o seu trabalho, não obstante o espaço onde decorre a aula.

A valia de dar voz aos alunos, não só em contexto da aula, mas também nos mais diversos ambientes e modalidades de participação na vida de uma escola (associação de estudante, conselhos de delegados de turma, representação no conselho geral, etc.), deve emergir progressivamente mais, dada a relevância e o sentir das suas intervenções, merecendo a devida valorização, pois os contributos serão traduzidos nos projetos educativos das escolas, engrandecidos pela sua apresentação.

Assumindo como valor máximo o humanismo nos relacionamentos e nas interações, as atitudes pessoais elevadas dos discentes devem obrigatoriamente ser distinguidas, com a atribuição de galardões que superem os tradicionais Quadros de Excelência ou de Honra. Educar para o futuro não é só dotar as escolas de material digital, sendo primordial o

reconhecimento intrínseco das qualidades pessoais, a preparação e capacitação para enfrentar a sociedade, que vai além das competências académicas.

E é isso que a Escola tem feito e que intenta reforçar!

O digital não poderá perder de vista as competências sociais e humanas a desenvolver com os alunos. Estes, no futuro, agradecerão, e nós também.

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