Já que pagamos, vamos lá defender a escola pública

A divulgação dos rankings das escolas que estará entre as noticias mais ouvidas, mais vistas e mais lidas, ajuda a perpetuar um mito que é claramente prejudicial à escola pública. Dirão que é um facto, que as notas que os alunos tiram nos exames, visto na média de cada escola, da mais alta para a mais baixa, diz-nos que o ranking é claramente dominado pelas escolas privadas. É um facto.
O que essas notas não nos dizem é que os privados fazem uma seleção dos alunos, à cabeça os privados que querem mostrar um ensino de excelência. Há colégios privados que só aceitam a entrada de alunos que cheguem com notas altas e outros, sem terem esse grau de exigência, que se limitam a preparar os alunos para os exames de acesso ao ensino superior ou a inflacionar as notas de final do ano.

O que as notas também não dizem é que há uma classe média e alta que pode pagar esses colégios, enquanto a generalidade das famílias não pode. Dirão que tudo se resolveria se houvesse liberdade de escolha, mas isso não é verdade, porque a oferta não é infinita e os de maiores recursos voltariam a ter o exclusivo de acesso ao ensino de excelência. Acontece que também não há nenhum cheque-ensino que dê formação a pais que não a têm e sabemos todos como a qualificação dos pais ajuda no sucesso dos filhos.

Em defesa da escola pública, o que devemos todos exigir é que o governo, este e os que lhe sucederem, faça melhor que este e os que o antecederam. Investido em infra-estruturas de qualidade, promovendo a valorização da carreira dos professores, com verdade e com exigência, para se poder pagar o que merece quem ensina os nossos filhos.

É preciso avançar sem medo de sindicatos que queiram impor regras que não são aceitáveis no tempo em que vivemos. É preciso que os melhores professores sejam reconhecidos, que a valorização das suas carreiras avance de forma diferente e mais rápida em relação aos que não se esforçam. Nada é mais injusto que tratar de maneira igual pessoas que dão de si próprias de maneira diferente, que se valorizam ou desvalorizam.

É tempo de defender a escola pública como se fossemos nós a pagar. Até porque somos nós a pagar.

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