Mulheres Iranianas: Mahsa Amini e Shirin Ebadi

O tema internacional óbvio para hoje é, sem dúvida, a eleição italiana. Eu tinha tudo preparado, mas a bravura das mulheres iranianas nas ruas depois da morte de Mahsa Amini, em Teerão, foi mais forte.

Esta mulher de 22 anos foi vítima da organização sinistra que dá pelo nome de «Polícia da Moralidade» pelo «alegado crime de não ter o cabelo totalmente tapado pelo hijab». A jornalista Najmeh Bozorgmehr explicou muito bem como a família se recusou a aceitar a versão oficial. Mais ainda, «ela não era uma ativista política e não tinha qualquer historial de se pronunciar contra as restrições sociais e políticas como aliás fazem tantos iranianos nas redes sociais».

As respostas de tantas mulheres com vídeos de protesto e de confronto... deixaram-me sem palavras. A liderança iraniana seguiu a cartilha habitual da repressão: bloquear o acesso à comunicação.

Estamos a falar de um país com cerca de 87 milhões. Destes cerca de 37% estão na faixa etária até aos 24 anos e 49% entre os 25 e os 54 anos. Mais ainda, existem 152 telemóveis por cada 100 habitantes. No fundo, estamos a falar de uma população jovem, instruída, mas na qual a taxa de desemprego nas idades entre os 15 e os 24 anos é de cerca de 24%. (todos os dados são retirados do World Factbook).

Ao longo destes dias tenho-me lembrado muito de uma força da natureza que dá pelo nome de Shirin Ebadi. As suas palavras de aceitação do Prémio Nobel da Paz em 2003 são extraordinárias: o orgulho em ser iraniana (ela diz mesmo «Sou Iraniana. Uma descendente de Ciro, o Grande»), muçulmana e mulher.

Para Shirin Ebadi, «a discriminação das mulheres em estados islâmicos (...) está enraizada na cultura patriarcal prevalecente nessas sociedades e não no Islão. Esta cultura não tolera a liberdade e a democracia, assim como não acredita na igualdade de direitos entre homens e mulheres, e não tolera a libertação das mulheres da dominação masculina (pais, maridos, irmãos) pois isso ameaçaria a posição histórica e tradicional dos dirigentes e guardiões dessa mesma cultura.»

Palavras sábias e certeiras que, infelizmente, ainda hoje retratam a realidade do Irão

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