Não podem existir tabus na Educação

Ainda a dar os primeiros passos, o ano escolar arranca em clima de negociações, percebendo-se uma marcada abertura ao diálogo entre o ministério da Educação e os sindicatos sobre o binómio que instiga a grandes preocupações, concretamente o recrutamento e colocação de professores. Saúda-se!

Contudo, face aos diversos problemas que se adensam no sistema educativo, e que urge resolver, julgo ser redutor o agendamento de um ponto único para a primeira ronda negocial, que se estendeu por dois dias.

Não considero ter sido tempo desperdiçado, dada a importância da discussão em torno de uma questão há muito tabu - contratação direta de professores pelas escolas - pelo menos para as forças sindicais.

Lamento não estar previsto, a breve trecho, a negociação sobre outros temas que afetam os professores e merecem a atenção das comunidades educativas e, sobretudo, do governo.

Neste sentido, não se deve dar como fechado ao debate o dossiê sobre o tempo de serviço vilipendiado aos docentes, que mantêm a máxima "só queremos o que é nosso!", referindo-se ao reconhecimento da totalidade do tempo de serviço - 9 anos, 4 meses e 2 dias, quando lhes foram contabilizados apenas 2 anos, 9 meses e 18 dias de tempo de serviço para efeitos de progressão na carreira, na sequência do descongelamento das carreiras na função pública.

Deverá haver, por parte da tutela, uma cedência clara e intencionada que inclua espaço de diálogo e de entendimento para um assunto que os professores não querem esquecer. Os sindicatos têm a obrigação de não desistir de trazer novamente à colação o tópico dirimido a altas horas da madrugada, parece-me que com exaustão e pouca lucidez à mistura, e que se pronunciou desfavorável aos professores.

Outras temáticas merecem igualmente um exercício de atuação criterioso e justo do ministério da Educação e dos sindicatos, escalpelizadas por mim, ao longo dos últimos anos, pela dimensão de relevo e urgência que impõem: aumento do vencimento, alterações ao modelo de avaliação de desempenho dos docentes e dos diretores, implementação de procedimentos em prol desburocratização do trabalho dos professores e de apoios na deslocação e estadia.

Pede-se sensibilidade às partes envolvidas face aos argumentos apresentados pelos profissionais, procurando sempre defender os interesses da Educação e do Ensino, imbuídos no espírito que acalenta a melhoria constante dos resultados académicos e sociais, do crescimento pleno e integral dos alunos e do bem-estar do ambiente educativo.

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